CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2017
Com relação aos adesivos teciduais derivados do cianoacrilato, utilizados para o tamponamento de perfuração da córnea, é correto afirmar:
Cianoacrilato + Água/Umidade → Polimerização instantânea (Selo tectônico em perfurações < 3mm).
O cianoacrilato é um adesivo sintético que polimeriza rapidamente ao entrar em contato com grupos hidroxila (água), sendo eficaz para selar pequenas perfurações corneanas e restaurar a integridade do globo ocular.
O uso de adesivos teciduais é uma técnica fundamental na urgência oftalmológica para preservação do globo ocular em casos de perda de integridade da córnea. O cianoacrilato, embora não seja um material biológico (diferente da cola de fibrina), oferece uma resistência mecânica superior e rapidez de aplicação. O conhecimento de suas propriedades químicas, como a polimerização em meio aquoso, é essencial para a aplicação correta e segura pelo oftalmologista.
Os adesivos de cianoacrilato são monômeros líquidos que, ao entrarem em contato com substâncias fracamente básicas, como a água ou fluidos teciduais (lágrima, humor aquoso), sofrem uma reação de polimerização aniônica rápida. Esse processo transforma o líquido em um polímero sólido e rígido em questão de segundos, criando uma barreira física que sela a perfuração. É uma reação exotérmica, o que contribui para sua toxicidade tecidual localizada, mas permite um fechamento imediato e estanque, essencial para restaurar a câmara anterior em casos de perfurações iminentes ou pequenas.
Na família dos cianoacrilatos, a toxicidade tecidual está inversamente relacionada ao comprimento da cadeia lateral de carbono. Compostos de cadeia curta, como o metil-cianoacrilato, são altamente citotóxicos porque se degradam rapidamente em subprodutos tóxicos (formaldeído e cianoacetato). Já os adesivos de cadeia mais longa, como o n-butil-cianoacrilato ou o octil-cianoacrilato, degradam-se muito mais lentamente, resultando em menor inflamação e toxicidade tecidual. Por isso, na prática oftalmológica, prefere-se o uso de derivados de cadeia mais longa para minimizar danos ao estroma corneano e ao endotélio.
A principal indicação é o tamponamento de perfurações corneanas pequenas (geralmente menores que 2 a 3 mm de diâmetro) ou afinamentos estromais progressivos (descemetoceles) onde a cirurgia imediata não é possível ou desejada. A cola atua como um suporte tectônico temporário. As limitações incluem a incapacidade de selar perfurações grandes ou irregulares, a toxicidade potencial para o endotélio se a cola entrar na câmara anterior, e o fato de que a cola atua como um corpo estranho, podendo causar irritação crônica, neovascularização corneana e aumentar o risco de infecções secundárias (ceratite microbiana).
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