Performance Funcional: Preditor Chave em Idosos Frágeis

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2019

Enunciado

Mulher de 88 anos de idade apresenta hipertensão arterial, hipotireoidismo, osteoartrite de joelhos e neoplasia maligna de pâncreas com metástase. Faz uso domiciliar de codeína e dipirona e tem ficado mais acamada, necessitando de ajuda para transferência. Foi internada por piora da dor abdominal que melhorou com uso de morfina parenteral. Diagnosticada úlcera por pressão em região sacral (estágio 3). Qual é o melhor preditor de prognóstico para a paciente?

Alternativas

  1. A) Baixa performance funcional.
  2. B) Idade avançada.
  3. C) Dor não controlada.
  4. D) Comorbidades múltiplas.
  5. E) Uso de opioides.

Pérola Clínica

Em idosos com doenças avançadas, a performance funcional é o melhor preditor prognóstico.

Resumo-Chave

A performance funcional, que reflete a capacidade do paciente de realizar atividades diárias, é um dos preditores mais robustos de prognóstico em pacientes idosos com múltiplas comorbidades e doenças avançadas, como câncer metastático. Uma baixa performance funcional indica maior fragilidade e pior prognóstico.

Contexto Educacional

Em pacientes idosos, especialmente aqueles com múltiplas comorbidades e doenças avançadas como neoplasias metastáticas, a avaliação do prognóstico é complexa e multifatorial. Dentre os diversos fatores que podem influenciar a expectativa de vida e a qualidade de vida, a performance funcional emerge como um dos preditores mais robustos e clinicamente relevantes. A performance funcional reflete a capacidade do indivíduo de realizar suas atividades diárias (AVDs e AIVDs), como se vestir, alimentar-se, caminhar e cuidar de si. Uma baixa performance funcional indica uma perda significativa da autonomia e uma maior fragilidade, que está diretamente associada a um pior prognóstico, maior risco de complicações e menor tolerância a tratamentos invasivos. Escalas como a de Karnofsky ou ECOG são frequentemente utilizadas para quantificar essa capacidade. Para residentes, compreender a importância da performance funcional é crucial na tomada de decisões clínicas, especialmente em geriatria e cuidados paliativos. Ela guia a escolha de tratamentos, a intensidade das intervenções e a discussão sobre metas de cuidado com o paciente e sua família, priorizando a qualidade de vida e o alívio do sofrimento em detrimento de abordagens fúteis ou excessivamente agressivas. A idade avançada e as comorbidades são importantes, mas a capacidade funcional integra o impacto de todas essas condições no dia a dia do paciente.

Perguntas Frequentes

O que é performance funcional e como ela é avaliada?

A performance funcional refere-se à capacidade de um indivíduo realizar atividades da vida diária (AVDs) e atividades instrumentais da vida diária (AIVDs). É avaliada por escalas como a de Karnofsky ou ECOG, que classificam o grau de independência e a necessidade de assistência.

Por que a performance funcional é um preditor de prognóstico melhor que a idade em idosos?

A performance funcional reflete a reserva fisiológica e a capacidade de recuperação do paciente, sendo um indicador mais dinâmico e preciso do estado de saúde geral do que a idade cronológica isolada. Idosos com boa performance funcional podem ter um prognóstico melhor que idosos mais jovens com baixa performance.

Como a baixa performance funcional impacta o plano de cuidados em pacientes com câncer avançado?

Em pacientes com câncer avançado e baixa performance funcional, o foco do plano de cuidados frequentemente se desloca para o controle de sintomas, qualidade de vida e cuidados paliativos, em vez de tratamentos curativos agressivos, devido à menor tolerância a terapias e pior prognóstico.

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