AMS - Autarquia Municipal de Saúde de Apucarana (PR) — Prova 2023
Paciente de 67 anos, obeso, ex-tabagista, com quadro de dispneia progressiva e edema de MMII procurou atendimento com cardiologista devido a piora das queixas. Paciente apresenta cintilografia altamente sugestiva de isquemia. Para dar seguimento à investigação, cardiologista solicita ecocardiograma transtorácico e cineangiocoronariografia. Paciente realizou os exames, mas, enquanto aguardava o retorno, apresentou progressão da dispneia aos pequenos esforços, procurando pronto atendimento. À avaliação do PS, paciente apresentava-se taquidispneico, com edema MMII 4+/4 e AP com estertores crepitantes difusos. Extremidades estavam quentes e com enchimento capilar normal. Negava demais queixas associadas. Plantonista solicitou avaliação cardiológica, que ao checar os exames realizados pelo paciente, apresentava ECOTT FEVE 50% e hipocinesia de parede lateral. CATE com lesões em ADA de 80% e lesões de 70-80% em ACX. Assinale a alternativa CORRETA:
Paciente 'frio e úmido' (perfil C) com IC descompensada → inotrópicos (Dobutamina) + diuréticos.
O paciente apresenta sinais de hipoperfusão (extremidades quentes, enchimento capilar normal, mas taquidispneico) e congestão (edema MMII, estertores crepitantes), indicando um perfil 'frio e úmido' (perfil C) de insuficiência cardíaca descompensada. Nesses casos, a dobutamina é indicada para melhorar o débito cardíaco e a perfusão tecidual.
A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica complexa, e sua descompensação é uma causa comum de internação hospitalar. A avaliação hemodinâmica de pacientes com IC descompensada é crucial para guiar o tratamento. Os pacientes são classificados em quatro perfis, baseados na presença de congestão ('úmido' ou 'seco') e hipoperfusão ('frio' ou 'quente'). O paciente do caso apresenta dispneia progressiva, edema de MMII e estertores crepitantes (sinais de congestão ou 'úmido'), mas também extremidades quentes e enchimento capilar normal, o que, em conjunto com a piora da dispneia aos pequenos esforços, sugere hipoperfusão relativa ou iminente, caracterizando um perfil 'frio e úmido' (Perfil C). O perfil 'frio e úmido' (C) indica que o paciente está congesto e hipoperfundido. Nesses casos, o tratamento visa tanto a redução da congestão quanto a melhora da perfusão. Diuréticos são essenciais para a congestão, mas a presença de hipoperfusão exige a adição de agentes inotrópicos, como a dobutamina. A dobutamina aumenta a contratilidade miocárdica e o débito cardíaco, melhorando a perfusão tecidual e aliviando os sintomas de baixo débito. A etiologia da IC neste paciente é claramente isquêmica, evidenciada pela história de tabagismo, cintilografia positiva para isquemia, hipocinesia segmentar e lesões coronarianas significativas. Embora a fração de ejeção (FEVE 50%) esteja na faixa intermediária ou preservada (dependendo da classificação utilizada, mas não francamente reduzida), a presença de isquemia e hipocinesia regional ainda justifica a abordagem para IC de etiologia isquêmica. A escolha da dobutamina é baseada no perfil hemodinâmico de descompensação, e não primariamente na FEVE ou na etiologia, embora estes fatores influenciem o manejo a longo prazo.
Os pacientes com insuficiência cardíaca descompensada são classificados em quatro perfis hemodinâmicos (A, B, C, L) com base na presença de congestão ('úmido' ou 'seco') e hipoperfusão ('frio' ou 'quente'). Congestão é avaliada por estertores, edema, turgência jugular. Hipoperfusão por extremidades frias, hipotensão, alteração do estado mental.
A dobutamina é um agente inotrópico positivo indicado para pacientes com insuficiência cardíaca descompensada que apresentam sinais de hipoperfusão (perfil 'frio'), especialmente quando associados à congestão (perfil 'frio e úmido' ou C), para melhorar o débito cardíaco e a perfusão tecidual.
A etiologia mais provável da insuficiência cardíaca do paciente é isquêmica, dada a história de ex-tabagismo, cintilografia altamente sugestiva de isquemia, hipocinesia de parede lateral no ecocardiograma e lesões significativas em artérias coronárias (ADA 80%, ACX 70-80%) na cineangiocoronariografia.
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