FBHC - Fundação de Beneficência Hospital de Cirurgia (SE) — Prova 2021
Paciente portador de IC com fração de ejeção reduzida dá entrada no Pronto Socorro com dispnéia em repouso + ortopnéia + dispnéia paroxística noturna + edema MMII; nível e conteúdo de consciência preservados. Exame físico demonstrando presença de B3 + PA 90x40 mmHg + extremidades frias com tempo de enchimento capilar prolongado. Qual perfil clínico-hemodinâmico deste paciente?
IC descompensada: Congestão (úmido) + Hipoperfusão (frio) = Perfil C (Frio e Úmido).
O paciente apresenta sinais de congestão (dispneia, ortopneia, edema) e de hipoperfusão periférica (PA baixa, extremidades frias, TPC prolongado). Essa combinação define o perfil clínico-hemodinâmico 'Frio e Úmido' (Perfil C), que indica uma insuficiência cardíaca descompensada grave com alto risco.
A insuficiência cardíaca (IC) descompensada é uma condição grave que exige manejo rápido e preciso. A avaliação clínica-hemodinâmica é fundamental para estratificar o paciente e guiar a terapia. A classificação de Stevenson (ou Forrester) divide os pacientes em quatro perfis baseados na presença ou ausência de congestão ('úmido' vs. 'seco') e hipoperfusão periférica ('frio' vs. 'quente'). O paciente descrito no enunciado apresenta dispneia em repouso, ortopneia, dispneia paroxística noturna e edema de MMII, que são claros sinais de congestão (portanto, 'úmido'). Além disso, a PA de 90x40 mmHg, extremidades frias e tempo de enchimento capilar prolongado indicam hipoperfusão periférica (portanto, 'frio'). A combinação de 'frio' e 'úmido' caracteriza o Perfil C, que é o mais grave e de pior prognóstico, frequentemente associado a choque cardiogênico. O reconhecimento rápido deste perfil é vital, pois o tratamento difere significativamente dos outros perfis. Pacientes no Perfil C necessitam de intervenções para melhorar a perfusão (inotrópicos e/ou vasodilatadores) e reduzir a congestão (diuréticos), muitas vezes exigindo monitorização intensiva e suporte hemodinâmico avançado. A compreensão desses perfis permite uma abordagem terapêutica mais direcionada e eficaz, visando estabilizar o paciente e prevenir complicações graves.
Os principais sinais de congestão incluem dispneia em repouso, ortopneia, dispneia paroxística noturna, edema de membros inferiores, turgência jugular, hepatomegalia e crepitações pulmonares.
Sinais de hipoperfusão periférica incluem extremidades frias e úmidas, tempo de enchimento capilar prolongado (>3 segundos), hipotensão arterial, oligúria, alteração do nível de consciência e pulso filiforme.
A classificação dos perfis hemodinâmicos (Stevenson ou Forrester) é crucial para guiar o tratamento da insuficiência cardíaca descompensada. Ela permite identificar se o paciente precisa de diuréticos (para congestão), inotrópicos/vasodilatadores (para hipoperfusão) ou ambos, otimizando a terapia e melhorando o prognóstico.
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