Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2026
Paciente feminina, 51 anos, com obesidade mórbida (148 kg, IMC > 50 kg/m²), foi submetida previamente à cirurgia de Hartmann após quadro de diverticulite complicada. Evoluiu com hérnia paracolostômica volumosa. Com o objetivo de viabilizar futura reconstrução do trânsito intestinal, foi submetida a gastrectomia vertical (sleeve), apresentando perda ponderal significativa, com peso atual de 98 kg. Sua tomografia de controle mostrou colostomia em fossa iliaca direita e hérnia paracolostômica contendo alças delgadas, cólon e parte do estômago, com dimensões de 9,5 x 9,7 cm e volume estimado de 4.250 cc. O volume da cavidade abdominal é de cerca de 8.200 cc. Com base nos dados apresentados, a melhor estratégia para correção da hérnia e reconstrução do trânsito intestinal neste cenário é:
Hérnia volumosa (>25% volume abdominal) → Pneumoperitônio progressivo pré-op para evitar síndrome compartimental.
Em pacientes com perda de domicílio abdominal (relação volume saco/cavidade significativa), o pneumoperitônio progressivo pré-operatório expande a cavidade e melhora a mecânica respiratória pós-op.
O manejo de hérnias incisionais gigantes com perda de domicílio abdominal representa um desafio técnico significativo. A relação entre o volume do saco herniário e o volume da cavidade abdominal orienta a necessidade de preparo pré-operatório. Quando o volume herniário é expressivo, a reintrodução das vísceras pode causar hipertensão intra-abdominal grave. O pneumoperitônio progressivo pré-operatório atua como uma ferramenta de expansão volumétrica, permitindo que a musculatura abdominal se adapte e que a função respiratória não seja comprometida. Além disso, em pacientes pós-bariátricos, a estabilização do peso é fundamental antes da correção definitiva da parede abdominal.
A perda de domicílio abdominal ocorre quando o volume do conteúdo herniário é tão grande que a cavidade abdominal remanescente não consegue mais acomodá-lo sem causar hipertensão intra-abdominal. Geralmente é quantificada por tomografia, comparando o volume do saco herniário com o volume da cavidade abdominal. Quando essa relação é alta (frequentemente citada acima de 25%), a redução súbita do conteúdo pode levar à síndrome compartimental abdominal, disfunção renal e colapso ventilatório no pós-operatório.
O PPP é uma técnica onde se insufla ar ambiente ou CO2 na cavidade peritoneal de forma gradual através de um cateter por 10 a 15 dias antes da cirurgia. Isso promove o alongamento da musculatura da parede abdominal e aumenta a capacidade volumétrica da cavidade. Além da expansão física, permite que o diafragma e o sistema cardiovascular se adaptem ao aumento da pressão, reduzindo drasticamente as complicações respiratórias após a redução definitiva da hérnia.
A reconstrução simultânea é indicada quando o paciente apresenta estabilidade clínica, perda ponderal adequada (especialmente em obesos mórbidos) e o defeito herniário pode ser corrigido com segurança. Em casos de grandes volumes herniários, o uso de adjuvantes como o PPP ou a toxina botulínica pré-operatória é essencial para viabilizar o fechamento da parede abdominal sem tensão excessiva durante o mesmo tempo cirúrgico da reversão da colostomia.
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