PAIR: Prevenção e Manejo da Perda Auditiva Ocupacional

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2019

Enunciado

Homem, 38 anos, diabético, socorrista do SAMU há 5 anos, comparece à consulta de retorno. Registro orientado por problemas: (S) Apresenta-se com queixa de zumbido que vem piorando nos últimos meses. Nega história de traumas ou uso de agentes ototóxicos. A esposa refere que o mesmo "está ficando surdo e que precisa repetir várias vezes as palavras para que ele compreenda". (O) Otoscopia: canal auditivo externo pérvio, levemente hiperemiado, sem otorreia ou corpos estranhos. Membrana timpânica branca perolada, sem abaulamentos ou retrações. Foi solicitado um exame audiométrico que detectou perda auditiva neurossensorial moderada em frequências mais elevadas (3 a 6 kHz). Frente ao diagnóstico mais provável, qual alternativa faz parte do plano terapêutico inicial do paciente?

Alternativas

  1. A) Afastamento de suas funções laborativas.
  2. B) Aprendizagem da linguagem brasileira de sinais.
  3. C) Introdução do equipamento de proteção individual.
  4. D) Uso de aparelho para amplificação sonora individual.

Pérola Clínica

Perda auditiva neurossensorial em frequências altas + exposição a ruído ocupacional = PAIR → EPI auditivo.

Resumo-Chave

A perda auditiva neurossensorial em frequências elevadas (3-6 kHz) em um socorrista do SAMU, com história de zumbido e piora da audição, é altamente sugestiva de Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR). A conduta inicial e mais importante é a prevenção de progressão, com uso de Equipamento de Proteção Individual (EPI) auditivo.

Contexto Educacional

A Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR) é uma das doenças ocupacionais mais comuns e preveníveis. Caracteriza-se por uma perda auditiva neurossensorial bilateral, geralmente simétrica, que se desenvolve gradualmente devido à exposição prolongada a níveis elevados de ruído. Profissionais como socorristas do SAMU, expostos a sirenes e ruídos de veículos de emergência, estão em alto risco. A fisiopatologia da PAIR envolve danos às células ciliadas externas da cóclea, que são responsáveis pela amplificação e modulação do som. A audiometria é a ferramenta diagnóstica chave, revelando uma perda auditiva neurossensorial, inicialmente em frequências de 3 a 6 kHz, com um padrão de 'entalhe' característico. O zumbido é um sintoma comum associado. A ausência de história de ototóxicos ou traumas reforça a suspeita de causa ocupacional. O plano terapêutico inicial e mais crítico para a PAIR é a prevenção da progressão. Isso inclui a eliminação ou redução da exposição ao ruído, sendo a introdução e o uso correto de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) auditivos (protetores auriculares) a medida mais imediata e eficaz. O afastamento das funções laborativas é uma medida mais drástica e geralmente considerada apenas se a proteção não for suficiente ou se houver risco de agravamento. O uso de aparelho para amplificação sonora individual (AASI) é uma medida reabilitadora, importante para melhorar a qualidade de vida, mas não impede a progressão da doença se a exposição ao ruído persistir. A aprendizagem da linguagem de sinais seria para casos de perda auditiva profunda, que não é o caso aqui.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR)?

Os principais sinais incluem zumbido, dificuldade de compreensão da fala em ambientes ruidosos e perda auditiva neurossensorial, tipicamente em frequências de 3 a 6 kHz, que pode progredir para outras frequências.

Por que a proteção auditiva é a conduta inicial mais importante na PAIR?

A proteção auditiva, através do uso de EPIs, é crucial para interromper a exposição ao ruído nocivo e prevenir a progressão da perda auditiva, que é irreversível. Sem essa medida, qualquer outra intervenção será menos eficaz.

Como a audiometria auxilia no diagnóstico da PAIR?

A audiometria é fundamental para o diagnóstico, revelando a característica 'entalhe' ou 'notch' em frequências de 3, 4 ou 6 kHz, que é patognomônico da PAIR, confirmando a natureza neurossensorial da perda.

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