Perda Auditiva Induzida por Ruído: Diagnóstico Ocupacional

UFAL/HUPAA - Hospital Universitário Prof. Alberto Antunes (AL) — Prova 2019

Enunciado

Paciente de 50 anos, sexo masculino, hipertenso e diabético, procura o Médico de Família e Comunidade com queixa de diminuição da acuidade auditiva. Ele nega traumas em região encefálica ou infecções de orelha média quando criança; contudo, refere que trabalha em uma tecelagem há 25 anos. Com base nessas informações, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Esse tipo de queixa não tem relação com o trabalho.
  2. B) O diabetes do paciente pode potencializar a perda auditiva induzida pelo ruído.
  3. C) A adoção de equipamentos de proteção individual seria suficiente para prevenir a perda auditiva induzida pelo ruído.
  4. D) É preciso realizar um estudo do local de trabalho deste senhor para que se possa pensar em perda auditiva induzida por ruído.
  5. E) Em se tratando de perda auditiva induzida pelo ruído, o afastamento do estímulo sonoro não interferirá na progressão da doença.

Pérola Clínica

PAIR: suspeitar em exposição crônica a ruído ocupacional. Diagnóstico requer estudo do ambiente de trabalho e audiometria.

Resumo-Chave

A Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR) é uma condição comum em trabalhadores expostos a níveis elevados de ruído. Para confirmar a relação ocupacional, é essencial investigar o ambiente de trabalho, incluindo medições de ruído e análise das condições de exposição, além da avaliação audiométrica do paciente.

Contexto Educacional

A Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR) é uma das doenças ocupacionais mais prevalentes e preveníveis, afetando milhões de trabalhadores globalmente. Caracteriza-se por uma perda auditiva neurossensorial irreversível, geralmente bilateral e simétrica, que se inicia nas frequências altas (3000-6000 Hz) e progride para as frequências da fala com a continuidade da exposição. A história de trabalho em ambientes ruidosos, como tecelagens, por longos períodos (25 anos no caso) é um forte indicativo. Para o diagnóstico da PAIR, é fundamental uma anamnese detalhada sobre a história ocupacional, incluindo tempo de exposição, níveis de ruído e uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). A audiometria é o exame padrão-ouro, revelando o padrão característico da PAIR. No entanto, para estabelecer o nexo causal com o trabalho, é imprescindível realizar um estudo do local de trabalho, avaliando os níveis de ruído, o tempo de exposição dos trabalhadores e a eficácia das medidas de controle e proteção existentes. É importante ressaltar que comorbidades como diabetes e hipertensão podem atuar como fatores de risco adicionais ou potencializadores da perda auditiva, tornando a avaliação multidisciplinar ainda mais relevante. A prevenção da PAIR envolve uma abordagem hierárquica, priorizando o controle do ruído na fonte (engenharia), seguido por medidas administrativas e, por último, o uso correto e supervisionado de EPIs. O afastamento do estímulo sonoro, embora não reverta a perda já instalada, é crucial para evitar a progressão da doença.

Perguntas Frequentes

Como é diagnosticada a Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR)?

O diagnóstico da PAIR é feito pela história clínica de exposição a ruído ocupacional, audiometria que geralmente mostra perda neurossensorial bilateral nas frequências de 3000, 4000 ou 6000 Hz, e exclusão de outras causas de perda auditiva.

Quais fatores podem potencializar a PAIR?

Além da intensidade e tempo de exposição ao ruído, fatores como idade, predisposição genética, tabagismo, diabetes mellitus e hipertensão arterial podem potencializar o desenvolvimento e a progressão da perda auditiva.

A adoção de EPIs é suficiente para prevenir a PAIR?

Embora os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) sejam cruciais, eles são apenas uma parte da estratégia de prevenção. Medidas de controle de engenharia (redução do ruído na fonte), administrativas (limitação do tempo de exposição) e educação são igualmente importantes para uma prevenção eficaz.

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