Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2025
Jorge, 60 anos, casado, tocador de tamborim na escola de samba, aos sábados, há 4 anos, trabalha em construção civil e obras públicas há 38 anos (principalmente como operador de britadeira). Refere que os EPIs são antigos e às vezes quebrados. Traz uma audiometria solicitada para investigar perda auditiva, pela qual conclui-se: "Perda auditiva sensorioneural bilateral simétrica com perda global, mas mais intensa em frequências de 3, 4 e 6 kHz, com melhora relativa à frequência de 8 kHz". A partir do resultado da audiometria, é correto concluir pelo diagnóstico de:
PAIR ocupacional = Perda sensorioneural bilateral simétrica com entalhe em 3-6 kHz + exposição a ruído. Exige notificação SINAN, RAAT, CAT.
A Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR) ocupacional é caracterizada por uma perda auditiva sensorioneural bilateral e simétrica, com um entalhe audiométrico clássico nas frequências de 3, 4 e 6 kHz, com recuperação em 8 kHz. A história de exposição prolongada a ruído intenso no trabalho, sem proteção adequada, é crucial para o diagnóstico e para as ações de saúde do trabalhador, incluindo notificação e emissão de CAT.
A Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR) ocupacional é uma das doenças relacionadas ao trabalho mais prevalentes, afetando trabalhadores expostos a níveis elevados de ruído por longos períodos. É uma perda auditiva sensorioneural irreversível, progressiva e geralmente bilateral e simétrica. A importância clínica reside não apenas no impacto na qualidade de vida do indivíduo, mas também nas implicações legais e de saúde pública, exigindo ações de prevenção e notificação. A epidemiologia mostra que setores como construção civil, indústria e mineração são de alto risco. A fisiopatologia da PAIR envolve danos às células ciliadas externas da cóclea devido à exposição crônica a ruído intenso. O diagnóstico é feito principalmente pela audiometria, que revela um padrão característico: uma perda auditiva sensorioneural com um 'entalhe' ou 'mergulho' nas frequências de 3, 4 e 6 kHz, com uma recuperação relativa em 8 kHz. A história ocupacional detalhada, incluindo tempo de exposição, intensidade do ruído e uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), é crucial para confirmar o nexo causal. O tratamento da PAIR é focado na prevenção da progressão da perda auditiva, através do uso adequado de EPIs, controle do ruído no ambiente de trabalho e acompanhamento audiométrico regular. Do ponto de vista legal e de saúde do trabalhador, o diagnóstico de PAIR ocupacional implica na notificação compulsória ao SINAN, na elaboração de um Relatório de Análise de Acidente de Trabalho (RAAT) e na emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), garantindo ao trabalhador o acesso a direitos previdenciários e a programas de reabilitação. O encaminhamento ao CEREST (Centro de Referência em Saúde do Trabalhador) é fundamental para a gestão do caso e para a implementação de medidas de proteção coletiva e individual.
A PAIR ocupacional tipicamente apresenta uma perda auditiva sensorioneural bilateral e simétrica, com um entalhe (queda) nas frequências de 3, 4 e 6 kHz, e uma melhora relativa na frequência de 8 kHz. Este padrão é patognomônico da exposição crônica a ruído.
Ao diagnosticar PAIR ocupacional, o médico deve propor tratamento adequado, notificar o caso ao Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), elaborar o Relatório de Análise de Acidente de Trabalho (RAAT) e fornecer cópia ao paciente para que ele possa levar ao Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST) e à empresa para emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT).
A PAIR é caracterizada pelo entalhe audiométrico em 3-6 kHz e pela história de exposição a ruído. A presbiacusia, por sua vez, é uma perda auditiva relacionada à idade, que geralmente afeta progressivamente as frequências mais altas (acima de 4 kHz), sem o entalhe característico, e não está diretamente ligada à exposição ocupacional a ruído.
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