Zumbido e Perda Auditiva: Relação com Hipertensão Arterial

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2017

Enunciado

Homem, 48 anos, procura consultório com queixa de zumbido em orelhas há 6 meses. Nega outras queixas. Antecedente pessoal: hipertensão arterial controlada com uso de losartana 80 mg/dia, câncer de tireoide há 15 anos, com exames de seguimento normais (sic). Trabalha em fábrica de papel, na área de produção, com turnos de 6 horas, com uso irregular de equipamento de proteção individual nos últimos 8 anos e trabalhou em escritório de advocacia em serviços gerais. Antecedente familiar: perda auditiva paterna. Exame físico geral: inalterado; otoscopia: normal. Audiometria: (Conforme imagem ). Em relação ao audiograma podemos afirmar que: 

Alternativas

  1. A) Há perda auditiva compatível com perda auditiva induzida por ruído. 
  2. B) O ambiente de trabalho oferece pouca condição para explicar exposição a ruído. 
  3. C) A perda auditiva pode estar relacionada à hipertensão. 
  4. D) A perda auditiva pode estar relacionada ao tratamento de câncer.

Pérola Clínica

Zumbido e perda auditiva podem estar relacionados à HAS, mesmo com otoscopia normal e ausência de PAIR típica.

Resumo-Chave

A hipertensão arterial sistêmica é um fator de risco conhecido para perda auditiva neurossensorial, especialmente em frequências altas, devido a alterações microvasculares na cóclea. Embora a exposição a ruído e a história familiar sejam relevantes, a HAS é uma causa sistêmica importante a ser considerada.

Contexto Educacional

A perda auditiva neurossensorial e o zumbido são queixas comuns na prática clínica, com etiologias multifatoriais. É essencial que o médico de família e o generalista saibam identificar os principais fatores de risco e realizar uma investigação adequada. A prevalência de perda auditiva aumenta com a idade, e condições como a hipertensão arterial sistêmica (HAS) são reconhecidas como contribuintes significativos para a disfunção coclear. A fisiopatologia da perda auditiva associada à HAS envolve alterações microvasculares, como aterosclerose e espessamento da membrana basal dos vasos da estria vascular, que comprometem o suprimento sanguíneo e a homeostase iônica da cóclea. Isso pode levar à degeneração das células ciliadas e do nervo auditivo. O diagnóstico diferencial deve incluir presbiacusia, ototoxicidade medicamentosa, exposição a ruído ocupacional (PAIR) e causas genéticas, sendo a audiometria tonal o exame padrão-ouro. O manejo da perda auditiva e zumbido relacionados à HAS foca no controle rigoroso da pressão arterial, além de outras comorbidades cardiovasculares. Embora não haja cura para a perda neurossensorial estabelecida, a intervenção precoce pode retardar a progressão. O aconselhamento sobre proteção auditiva e o uso de aparelhos auditivos são importantes para melhorar a qualidade de vida do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para perda auditiva neurossensorial?

Além da idade (presbiacusia) e exposição a ruído, doenças sistêmicas como hipertensão, diabetes, dislipidemia e tabagismo são importantes fatores de risco para perda auditiva neurossensorial, devido a seus efeitos na microvasculatura coclear.

Como a hipertensão arterial pode afetar a audição?

A hipertensão arterial pode causar alterações isquêmicas e degenerativas na microvasculatura da cóclea e do nervo auditivo, levando a uma perda auditiva neurossensorial progressiva, muitas vezes bilateral e simétrica, e zumbido.

Qual a importância da história ocupacional na avaliação da perda auditiva?

A história ocupacional é fundamental para identificar a exposição a ruído e substâncias ototóxicas, que podem causar Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR) ou exacerbar outras causas. O uso de EPI e o tempo de exposição são dados cruciais.

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