HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2024
Menina de 3 anos de idade é levada à consulta com queixa de que ainda não fala. Só diz "mamã e papa". Desenvolvimento: mãe refere que a criança tem um bom desenvolvimento, mas é muito agitada, "não obedece e não para quieta", anda desde os 12 meses de idade, tira o sapato e algumas peças de roupa sozinha; é carinhosa, curiosa, sabe dar "tchau" com a mão e mandar beijo; aponta tudo que quer, conhece a função dos objetos, mas não os nomeia. A mãe diz que sempre recebe queixas da creche, por ela ser muito agressiva, e não gostar de dividir seus brinquedos. Não obedece a professora, fica irritada com facilidade, faz muita birra e prefere brincar sozinha. Brinca de colocar a boneca para dormir e de lhe dar de comer. ISDA: Não gosta de barulhos fortes, como de helicóptero ou de secador de cabelo. Ronca à noite e acorda várias vezes com o nariz obstruído. Apresenta coriza constante e prurido nasal. Alimentação: É muito seletiva na alimentação e só aceita os alimentos em forma de purê. Antecedentes: nasceu a termo, com 3.015 g. Mãe refere que está sempre gripada, desde que entrou na creche, aos 4 meses de idade. Já teve um quadro de pneumonia e 4 otites médias agudas. Entre as hipóteses diagnósticas abaixo, a mais provável para este paciente é:
Atraso de fala + otites médias recorrentes + ronco/obstrução nasal → suspeitar de perda auditiva condutiva por otite média com efusão.
O atraso de fala em crianças, especialmente quando associado a histórico de otites médias agudas recorrentes, ronco e obstrução nasal, deve levantar a forte suspeita de perda auditiva condutiva. A otite média com efusão, comum em crianças pequenas, pode causar flutuações na audição, impactando diretamente o desenvolvimento da linguagem.
O atraso no desenvolvimento da fala e da linguagem é uma queixa comum na pediatria e exige uma investigação abrangente para identificar a causa subjacente. Embora condições como o Transtorno do Espectro Autista (TEA) sejam importantes diferenciais, é fundamental excluir causas orgânicas tratáveis, como a perda auditiva. A história clínica detalhada e o exame físico são cruciais para direcionar a investigação. Neste caso, a criança apresenta múltiplos fatores de risco e sintomas que apontam fortemente para uma perda auditiva condutiva. O histórico de otites médias agudas recorrentes (4 episódios), ronco noturno, obstrução nasal e coriza constante são indicativos de hipertrofia adenoideana e/ou otite média com efusão (OME). A OME, caracterizada pelo acúmulo de líquido no ouvido médio, é uma causa muito comum de perda auditiva condutiva flutuante em crianças pequenas, impactando diretamente a capacidade de ouvir e processar os sons da fala, o que, por sua vez, atrasa o desenvolvimento da linguagem. Apesar de alguns comportamentos como agitação e dificuldade em dividir brinquedos poderem levantar a suspeita de TEA, a capacidade de brincar de faz de conta ("colocar a boneca para dormir e dar de comer"), a curiosidade e a capacidade de apontar o que quer são mais consistentes com um desenvolvimento social preservado, mas com uma barreira na comunicação. A seletividade alimentar e a aversão a barulhos fortes também podem ser secundárias à dificuldade de processamento sensorial ou à própria condição auditiva. A investigação da audição, por meio de audiometria comportamental ou imitanciometria, é o próximo passo essencial para confirmar a perda auditiva e iniciar o tratamento adequado, que pode incluir tubos de ventilação ou adenoidectomia.
Otites médias recorrentes ou crônicas podem levar à otite média com efusão, causando perda auditiva condutiva flutuante. Essa dificuldade em ouvir consistentemente afeta a aquisição e o desenvolvimento da linguagem.
Além do atraso na fala, sinais incluem histórico de infecções de ouvido, ronco, respiração oral, dificuldade em seguir instruções, necessidade de volume alto para TV/rádio e não responder a chamados.
Enquanto o TEA envolve um espectro de déficits na comunicação social e comportamentos repetitivos, a perda auditiva foca na dificuldade de processamento de sons. A criança com perda auditiva pode ter bom contato visual e brincar de faz de conta, mas não responde bem aos sons.
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