HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2021
T.G.F., 36 anos, GV PIV (4 cesáreas) A0, IG (USG precoce): 25 semanas, é encaminhada para hospital terciário com obstetrícia por achado ecográfico de percretismo placentário em placenta prévia centro total. Sem história de sangramento pregresso. Assinale a alternativa que apresenta a melhor orientação para o caso.
Percretismo placentário + placenta prévia → resolução programada ~34 semanas, equipe multidisciplinar e radiologia intervencionista.
O percretismo placentário, especialmente associado à placenta prévia centro total, é uma condição obstétrica de alto risco. A conduta ideal envolve a programação da resolução da gestação por volta das 34 semanas, em um centro terciário com equipe multidisciplinar experiente e disponibilidade de radiologia intervencionista, para minimizar o risco de hemorragia maciça e outras complicações.
O espectro de acretismo placentário, que inclui accreta, increta e percreta, representa uma das mais graves complicações obstétricas modernas, com incidência crescente devido ao aumento das taxas de cesariana. O percretismo, a forma mais severa, ocorre quando as vilosidades coriônicas invadem e perfuram a serosa uterina, podendo se estender a órgãos adjacentes como a bexiga. A associação com placenta prévia centro total eleva ainda mais o risco de hemorragia maciça e necessidade de histerectomia. O diagnóstico pré-natal, geralmente por ultrassonografia e ressonância magnética, é fundamental para o planejamento adequado. A conduta ideal para o percretismo placentário é a programação da resolução da gestação em um centro terciário, com equipe multidisciplinar experiente (obstetras, anestesistas, cirurgiões, radiologistas intervencionistas, urologistas) e disponibilidade de banco de sangue. O timing da resolução é crucial, geralmente entre 34 e 36 semanas, para otimizar a maturidade fetal e minimizar os riscos maternos de hemorragia espontânea ou trabalho de parto. A histerectomia com a placenta in situ é frequentemente a abordagem mais segura para evitar hemorragia incontrolável. A embolização de artérias uterinas, realizada pela radiologia intervencionista, pode ser utilizada como adjuvante para controle do sangramento. O uso de metotrexato para reabsorção placentária é controverso e geralmente não recomendado devido aos riscos e à baixa eficácia comprovada em casos de percretismo.
Percretismo placentário é a forma mais grave do espectro de acretismo, onde as vilosidades placentárias invadem e perfuram a serosa uterina, podendo atingir órgãos adjacentes como a bexiga. É uma condição de alto risco para hemorragia maciça e morbimortalidade materna.
A programação por volta de 34 semanas busca um equilíbrio entre a maturidade fetal (reduzindo riscos de prematuridade extrema) e a prevenção de complicações maternas graves, como hemorragia espontânea, que aumentam com o avanço da gestação.
A equipe multidisciplinar (obstetras, anestesistas, cirurgiões gerais, urologistas) é crucial para o manejo complexo. A radiologia intervencionista pode realizar embolização de artérias uterinas pré ou pós-operatória para controlar o sangramento, sendo um recurso vital para reduzir a morbidade.
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