Feto Pequeno para Idade Gestacional: Manejo e Parto

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025

Enunciado

Adolescente, 15 anos de idade, primigesta, comparece ao pré-natal com 34 semanas de gravidez. Está bem, sem queixas. Refere boa movimentação fetal. Ao exame clínico, bom estado geral, corada, normotensa, abdome gravídico, altura uterina 26 cm, BCF presente e rítmico. Em ultrassonografia realizada, o peso fetal estimado foi de 1.870 g, percentil 7, feto normotônico, movimentos corpóreos e respiratórios presentes, índice de líquido amniótico 9 cm. Dopplervelocimetria de artéria umbilical e de artéria cerebral média, conforme imagens a seguir:Na ausência de trabalho de parto, a programação obstétrica recomendada é:

Alternativas

  1. A) Indução de parto imediato.
  2. B) Parto cesárea imediato.
  3. C) Parto com 37 semanas.
  4. D) Parto com 40 semanas.

Pérola Clínica

Feto PIG (P7) com Doppler normal e vitalidade preservada → Vigilância e parto a termo (40 semanas).

Resumo-Chave

Um feto pequeno para idade gestacional (PIG) com peso estimado no percentil 7, mas com dopplervelocimetria normal e outros parâmetros de vitalidade fetal preservados (ILA, movimentos), geralmente indica um feto constitucionalmente pequeno. Nesses casos, a conduta é a vigilância e o parto pode ser programado para 40 semanas, na ausência de deterioração.

Contexto Educacional

O diagnóstico de feto Pequeno para Idade Gestacional (PIG), definido por um peso fetal estimado abaixo do percentil 10 para a idade gestacional, é um achado comum no pré-natal. É crucial diferenciar um feto constitucionalmente pequeno, mas saudável, de um feto com Restrição de Crescimento Fetal (RCF) patológica, que pode estar em risco de morbimortalidade perinatal. A dopplervelocimetria fetal, avaliando artérias como a umbilical e a cerebral média, é a principal ferramenta para essa diferenciação. Um Doppler normal sugere boa função placentária e ausência de hipóxia fetal, mesmo que o feto seja pequeno. Outros parâmetros de vitalidade, como o índice de líquido amniótico e os movimentos fetais, também são importantes. Quando um feto PIG apresenta Doppler e vitalidade normais, a conduta é expectante, com monitoramento rigoroso do crescimento e do bem-estar fetal. O parto pode ser programado para o termo (39-40 semanas), minimizando os riscos associados à prematuridade iatrogênica. A intervenção precoce só se justifica diante de sinais de comprometimento.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre feto PIG e Restrição de Crescimento Fetal (RCF)?

Feto PIG (Pequeno para Idade Gestacional) é definido por um peso estimado abaixo do percentil 10. RCF implica uma patologia subjacente (geralmente insuficiência placentária) que impede o feto de atingir seu potencial de crescimento, frequentemente associada a Doppler alterado.

Quais parâmetros são avaliados na dopplervelocimetria fetal para RCF?

Os principais parâmetros são o Índice de Pulssatilidade (IP) da artéria umbilical (AU), o IP da artéria cerebral média (ACM) e a relação cerebroplacentária (RCP). Alterações indicam redistribuição de fluxo e comprometimento fetal.

Quando o parto é indicado em casos de feto PIG/RCF?

A indicação de parto depende da presença e gravidade do comprometimento fetal. Se o Doppler estiver normal e a vitalidade preservada, o parto pode ser programado para 39-40 semanas. Com Doppler alterado ou sinais de sofrimento, o parto pode ser antecipado, dependendo da idade gestacional e da gravidade.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo