Prova 2025
Um homem de 28 anos procura aconselhamento genético devido à polidactilia pós-axial (presença de um dedo extranumerário). Ao analisar o heredograma, observa-se que o paciente apresenta apenas um pequeno apêndice cutâneo rudimentar na mão esquerda. Seu avô paterno apresentava dedos extras completos e funcionais em ambas as mãos e pés. Curiosamente, o pai do paciente possui mãos e pés anatomicamente normais, sem qualquer sinal de cirurgia prévia ou malformação, apesar de ter obrigatoriamente herdado o alelo mutante do avô e transmitido ao filho. Diante do quadro clínico da família, qual conceito genético explica especificamente o fato de o pai do paciente não manifestar a característica?
Se um paciente tem uma doença genética dominante, mas os pais parecem normais, considere sempre a penetrância incompleta antes de assumir uma mutação 'de novo'.
Na genética médica, a relação entre genótipo e fenótipo nem sempre é linear. A penetrância incompleta descreve a situação em que um alelo mutante não produz o fenótipo esperado em todos os indivíduos que o carregam. É um conceito estatístico binário: ou o indivíduo manifesta a doença ou não manifesta. Em heredogramas de doenças autossômicas dominantes, isso cria a aparência de saltos de geração. Diferente da penetrância, a expressividade variável refere-se à gama de sinais e sintomas que podem ocorrer em diferentes pessoas com a mesma mutação. No caso da polidactilia, a expressividade varia desde um pequeno apêndice cutâneo (como no paciente) até dedos extras totalmente funcionais (como no avô). O pai do paciente, por outro lado, exemplifica a penetrância incompleta, pois é fenotipicamente normal apesar de portar o gene. O reconhecimento desses conceitos é vital para o aconselhamento genético preciso. Permite que o médico explique por que uma doença grave pode surgir em um filho de pais aparentemente saudáveis em famílias com histórico de condições dominantes, auxiliando no cálculo de riscos de recorrência e na interpretação de testes genéticos.
Pode ser causada por interações com outros genes (epistasia), fatores ambientais ou até mesmo o acaso no desenvolvimento embrionário.
É o número de indivíduos que expressam o fenótipo dividido pelo número total de indivíduos que possuem o genótipo mutante.
A maioria das formas comuns de polidactilia isolada segue um padrão autossômico dominante com penetrância incompleta.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo