Pelagra: Diagnóstico e Tratamento da Deficiência de Niacina

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2020

Enunciado

Paciente, masculino, 55 anos, acompanhado pelo Consultório de Rua, procura a equipe de saúde. Veio há 02 meses para a capital em busca de melhores condições de vida, não conseguiu emprego, mora com a esposa e filhos. Refere ter parado uso abusivo de álcool há três dias para procurar emprego. No momento, apresenta queixas de tremores, náuseas sem vômitos e diarreia. Não conseguiu dormir nas últimas 24h. Ao exame, encontra-se levemente agitado, orientado no tempo e no espaço, apresenta lesões hipercrômicas, descamativas, pruriginosas e bem delimitadas em áreas de exposição solar. Nega uso de drogas e outras comorbidades. Qual o tratamento indicado para o quadro dermatológico do paciente?

Alternativas

  1. A) Loratadina.
  2. B) Prednisona.
  3. C) Ivermectina.
  4. D) Ácido nicotínico.

Pérola Clínica

Paciente alcoolista com dermatite em áreas expostas, diarreia e alterações neurológicas → Pelagra (deficiência de Niacina).

Resumo-Chave

O quadro dermatológico descrito (lesões hipercrômicas, descamativas, pruriginosas em áreas de exposição solar) em um paciente com histórico de alcoolismo e sintomas gastrointestinais e neurológicos é altamente sugestivo de pelagra, uma deficiência de niacina (vitamina B3). O tratamento é a reposição de ácido nicotínico.

Contexto Educacional

A pelagra é uma doença causada pela deficiência de niacina (vitamina B3), triptofano (precursor da niacina) ou ambos. Embora rara em países desenvolvidos, ainda é observada em populações com desnutrição crônica, alcoolismo, síndromes de má absorção ou uso de certos medicamentos. A importância clínica reside na gravidade de suas manifestações e na necessidade de reconhecimento precoce para evitar complicações irreversíveis. O paciente do caso, com histórico de alcoolismo e condições de vida precárias, apresenta fatores de risco clássicos. A fisiopatologia da pelagra está ligada ao papel da niacina como componente das coenzimas NAD e NADP, essenciais para diversas reações metabólicas, incluindo o metabolismo energético, síntese de DNA e reparo celular. Sua deficiência afeta tecidos com alta taxa de renovação, como pele e trato gastrointestinal, e o sistema nervoso central. O diagnóstico é clínico, baseado na tríade clássica dos '3 Ds': dermatite, diarreia e demência. A dermatite é caracteristicamente simétrica, bem delimitada, hipercrômica, descamativa e ocorre em áreas expostas ao sol (colar de Casal, dorso das mãos). O tratamento da pelagra é a reposição de niacina, geralmente na forma de ácido nicotínico ou nicotinamida, por via oral. A melhora dos sintomas dermatológicos e gastrointestinais costuma ser rápida, enquanto os sintomas neurológicos podem levar mais tempo para regredir. É crucial abordar a causa subjacente da deficiência, como o alcoolismo, através de suporte nutricional e acompanhamento multidisciplinar. A prevenção envolve uma dieta balanceada e, em populações de risco, a suplementação vitamínica.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da pelagra?

A pelagra é caracterizada pela tríade dos '3 Ds': dermatite (lesões hipercrômicas, descamativas em áreas expostas ao sol), diarreia (que pode ser grave) e demência (alterações neurológicas como insônia, irritabilidade, confusão mental e, em casos avançados, psicose).

Por que o alcoolismo é um fator de risco importante para pelagra?

O alcoolismo crônico leva à má absorção de nutrientes, ingestão alimentar inadequada e aumento das necessidades metabólicas, resultando em deficiências vitamínicas, incluindo a de niacina (vitamina B3), essencial para o metabolismo energético e reparo celular.

Qual o tratamento para a pelagra e como ele age?

O tratamento da pelagra consiste na reposição de niacina (ácido nicotínico ou nicotinamida), geralmente por via oral. A niacina é um precursor de coenzimas essenciais para o metabolismo celular, e sua suplementação reverte os sintomas dermatológicos, gastrointestinais e neurológicos da deficiência.

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