Amamentação: Corrigindo a Pega para Evitar Dor e Sangramento

HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2021

Enunciado

Ana, 23 dias de vida, é trazida para matrícula na unidade básica de saúde. Está em aleitamento materno exclusivo. A mãe refere dor ao amamentar, e hoje notou sangue na boca da criança após a mamada. Nascida de parto normal, recebeu Apgar 9/10 e alta com 48 horas de vida. Peso ao nascimento: 3200 gramas, comprimento: 50cm. Peso de alta: 2900g. Peso atual: 3000g, comprimento 51cm, exame físico sem anormalidades. As imagens a seguir foram obtidas durante a avaliação da mamada. Qual deve ser a conduta?

Alternativas

  1. A) Indicar bico de silicone; complementar com fórmula láctea, retorno em 48 a 72 horas.
  2. B) Corrigir a pega; uso de bico de silicone e retorno em 1 semana para reavaliação.
  3. C) Uso de bico de silicone; nistatina em mamilos, retorno com exame de urina para reavaliação.
  4. D) Corrigir a pega, agendando retorno em 48 a 72 horas para reavaliação.

Pérola Clínica

Dor/sangramento ao amamentar + perda peso RN → Pega incorreta. Corrigir pega é a conduta chave.

Resumo-Chave

A dor e o sangramento mamilar, juntamente com a perda de peso do recém-nascido, são sinais clássicos de pega incorreta durante o aleitamento materno. A correção da pega é a intervenção mais eficaz para resolver esses problemas e garantir o sucesso da amamentação.

Contexto Educacional

O aleitamento materno exclusivo é a forma ideal de alimentação para recém-nascidos, oferecendo inúmeros benefícios para a saúde da mãe e do bebê. No entanto, muitas mães enfrentam desafios, como dor ao amamentar e fissuras mamilares, que podem levar ao desmame precoce. A avaliação da mamada e a identificação de uma pega incorreta são passos fundamentais para o sucesso da amamentação. A fisiopatologia da dor e do sangramento mamilar está diretamente ligada à pega inadequada. Quando o bebê não abocanha corretamente a aréola, o mamilo sofre atrito e compressão excessiva, resultando em trauma, fissuras e, em casos mais graves, sangramento. A perda de peso do recém-nascido, mesmo que pequena, em conjunto com a dor materna, reforça a suspeita de que a transferência de leite não está sendo eficaz. A conduta primordial é a correção da pega. O profissional de saúde deve observar a mamada e orientar a mãe sobre a posição correta do bebê e a forma de abocanhar a mama. O retorno em 48-72 horas é crucial para reavaliar a pega, o conforto materno e o ganho de peso do bebê, garantindo que as intervenções foram eficazes. O uso de bicos de silicone ou a complementação com fórmula láctea devem ser evitados como primeira linha, pois podem mascarar o problema da pega e interferir na produção de leite, dificultando o estabelecimento da amamentação.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de uma pega correta na amamentação?

Sinais de pega correta incluem a boca do bebê bem aberta, lábios evertidos, queixo tocando a mama, aréola mais visível acima da boca do bebê, sucções lentas e profundas, e ausência de dor para a mãe durante a mamada.

Por que a pega incorreta causa dor e fissuras mamilares?

A pega incorreta faz com que o bebê sugue apenas o mamilo, em vez de abocanhar uma porção maior da aréola. Isso causa atrito excessivo, compressão inadequada do mamilo e trauma, levando a dor, fissuras e, consequentemente, sangramento.

Quando é normal o recém-nascido perder peso e quando isso é preocupante?

É normal o RN perder até 10% do peso de nascimento nos primeiros dias de vida, recuperando-o em até 10-14 dias. Perda de peso persistente ou ganho insuficiente após esse período é preocupante e indica necessidade de avaliação da amamentação e intervenção.

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