UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2023
Homem, 67a, no início da manhã apresentou fortes dores na região central do tórax, que irradiavam para o pescoço, mandíbula e braço esquerdo, e dificuldade para respirar. Foi imediatamente conduzido a uma Unidade de Emergência, chegando com sudorese acentuada e muito ansioso. Exame físico: PA=60x35mmHg; FC=120bpm; cianose de extremidades, pulsos fracos. Eletrocardiograma: sinais de extenso infarto do miocárdio anterolateral. Foram realizadas medidas iniciais de suporte de vida e indicado cateterismo cardíaco, mas antes disto evoluiu à óbito. Submetido à necropsia. A Figura mostra uma secção do coração.SOBRE A IMAGEM, É CORRETO AFIRMAR QUE:
Infarto agudo muito recente (<6-12h) pode não ter alterações macro/microscópicas evidentes em histologia convencional.
Em casos de morte súbita por infarto agudo do miocárdio, especialmente nas primeiras horas, as alterações histopatológicas de necrose coagulativa podem ainda não ser visíveis à microscopia óptica convencional, exigindo métodos especiais para detecção precoce. Infartos antigos, por outro lado, são caracterizados por fibrose.
O infarto agudo do miocárdio (IAM) é uma das principais causas de morte súbita, e sua patologia é um tema recorrente em provas de residência. A fisiopatologia envolve a oclusão de uma artéria coronária, levando à isquemia e, consequentemente, à necrose dos cardiomiócitos. A evolução temporal das alterações morfológicas é crucial para o diagnóstico patológico. Nas primeiras horas (até 4-6 horas), as alterações macroscópicas e microscópicas podem ser mínimas ou ausentes à histologia convencional, exigindo colorações especiais (como o cloreto de trifeniltetrazólio - TTC) para evidenciar a perda de atividade enzimática. Com o passar do tempo, a necrose coagulativa se estabelece, caracterizada por hipereosinofilia e perda das estriações dos cardiomiócitos, seguida por um infiltrado inflamatório de neutrófilos (12-24 horas) e, posteriormente, macrófagos (3-7 dias) que removem o tecido necrótico. Finalmente, o tecido é substituído por uma cicatriz fibrosa, caracterizando um infarto antigo. A presença de um infarto antigo em um paciente que morre de um novo IAM é um achado comum, indicando doença coronariana preexistente. A questão ressalta um ponto importante: a ausência de achados patológicos claros em infartos muito recentes não exclui o diagnóstico clínico. Em casos de morte súbita por IAM, especialmente quando o óbito ocorre poucas horas após o início dos sintomas, a histologia pode não revelar necrose coagulativa evidente, o que pode levar a um diagnóstico desafiador sem o contexto clínico.
Os primeiros sinais histopatológicos, visíveis após 4-12 horas, incluem edema, hemorragia e necrose coagulativa com perda das estriações e hipereosinofilia dos cardiomiócitos. Antes disso, as alterações podem ser sutis.
Um infarto recente mostra necrose coagulativa e infiltrado inflamatório (neutrófilos, depois macrófagos). Um infarto antigo é caracterizado pela substituição do tecido necrótico por fibrose e cicatriz.
Nas primeiras 4-6 horas após o evento isquêmico, as alterações celulares são principalmente ultraestruturais e bioquímicas. A necrose coagulativa, que é a marca do infarto, leva algumas horas para se tornar morfologicamente evidente à microscopia óptica.
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