CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2026
Segundo a Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH) no Consenso PBM-ABHH e no Guia para o uso de hemocomponentes do Ministério da Saúde, em circunstâncias clínicas em que não há sangramento ativo grave, qual das alternativas abaixo reflete a prática recomendada para a transfusão de concentrado de hemácias?
Transfusão → Decisão clínica baseada em sintomas + estabilidade, não apenas no valor isolado de Hb.
A estratégia restritiva (gatilho de Hb < 7 g/dL) é superior ou equivalente à liberal na maioria dos pacientes estáveis, priorizando a segurança e reduzindo riscos imunológicos.
A prática transfusional moderna evoluiu de uma conduta baseada em valores laboratoriais rígidos para uma análise clínica individualizada. O Patient Blood Management (PBM) surge como um novo padrão-ouro, focando na saúde do paciente e não apenas no produto sanguíneo. A transfusão de hemácias, embora vital em hemorragias graves, carrega riscos inerentes como reações febris, aloimunização, infecções e complicações graves como TRALI (Transfusion-Related Acute Lung Injury) e TACO (Transfusion-Associated Circulatory Overload). O consenso da ABHH e do Ministério da Saúde reforça que a hemoglobina é apenas um dos parâmetros, e a decisão deve ser compartilhada e fundamentada na fisiologia do transporte de oxigênio e nas comorbidades do paciente.
O PBM é uma abordagem multidisciplinar e baseada em evidências que visa otimizar o cuidado de pacientes que podem precisar de transfusão. Baseia-se em três pilares: otimização da massa eritrocitária própria (tratando anemias prévias), minimização de perdas sanguíneas (técnicas cirúrgicas, redução de coletas laboratoriais) e otimização da tolerância fisiológica à anemia, garantindo que a transfusão seja o último recurso.
Para a maioria dos pacientes hospitalizados e hemodinamicamente estáveis, as diretrizes atuais recomendam uma estratégia restritiva, com gatilho de hemoglobina entre 7 e 8 g/dL. Estudos mostram que essa prática reduz a exposição a hemocomponentes sem aumentar a mortalidade ou complicações, comparada a estratégias liberais (gatilhos de 9 ou 10 g/dL).
A decisão deve considerar sinais de hipóxia tecidual ou instabilidade hemodinâmica não responsiva a volume, como taquicardia persistente, hipotensão, dispneia, dor anginosa ou alteração do estado mental decorrentes da anemia aguda. Em pacientes com síndrome coronariana aguda, o gatilho costuma ser um pouco mais elevado (Hb < 8 ou 9 g/dL).
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