Passagem de Plantão: Erros e Segurança do Paciente

AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2023

Enunciado

Na passagem do plantão das 8:00 em 13/05/2022, o residente da ginecologia do primeiro ano, que estava na noite, informou: “só tem uma paciente com doença inflamatória pélvica que recebi da cirurgia, ela já iniciou antibiótico”; depois disso saiu, pois estava atrasado para o round da outra equipe. O médico que recebeu o plantão reviu o prontuário. O primeiro registro médico foi do residente da cirurgia, que havia escrito: “Em 10/05/2022, a paciente teve 39ºC de febre associada à dor em baixo ventre, cuja intensidade era 8 em 10. Em 12/05/2022, realizou uma tomografia abdominal total que descrevia um apêndice cecal normal e sinais de salpingite à esquerda, não visualizando o ovário esquerdo. Os exames laboratoriais de 12/05/2022: hCG=negativo | hmg=11,9 | leuc=21670 | PCR=180. Conforme contato com o plantonista da ginecologia, transfiro a paciente para os cuidados da equipe da emergência ginecológica. Prescrevo ceftriaxona, doxiciclina e metronidazol para a paciente, e solicito exames laboratoriais para infecções sexualmente transmissíveis. R1 CIG Miró Data:12/05/2022 21:17”. Após essas anotações, não havia outros registros médicos. Considerando as atividades profissionais confiabilizadoras essenciais para a prática médica na passagem do plantão, os aspectos do registro médico descrito no código de ética médica e a conduta do médico plantonista sobre o caso acima, podemos afirmar que a:

Alternativas

  1. A) Passagem do plantão apresenta comportamento de pré-confiabilidade.
  2. B) Atitude da passagem de plantão do plantonista da noite para o plantonista da manhã estava adequada quanto à comunicação efetiva com o colega de profissão.
  3. C) Evolução do residente da cirurgia está de acordo com o código de ética médica, no que tange ao Art. 87 §1.
  4. D) Prescrição dos antimicrobianos está de acordo com as recomendações para o tratamento do caso de doença inflamatória pélvica.

Pérola Clínica

Passagem de plantão inadequada com informações incompletas e sem checagem é comportamento de pré-confiabilidade, aumentando risco ao paciente.

Resumo-Chave

A passagem de plantão descrita é um exemplo de "pré-confiabilidade", onde a comunicação é superficial, incompleta e não há verificação mútua das informações. Isso compromete a segurança do paciente, pois dados cruciais podem ser perdidos ou mal interpretados, levando a erros na continuidade do cuidado.

Contexto Educacional

A passagem de plantão é um momento crítico na rotina hospitalar, representando uma das principais interfaces de comunicação entre equipes médicas e um ponto vulnerável para a segurança do paciente. Para residentes, é fundamental desenvolver habilidades de comunicação eficazes e compreender a importância de uma passagem de plantão estruturada e completa, que garanta a continuidade do cuidado e minimize riscos de erros. A cultura de segurança do paciente depende diretamente da qualidade dessas transições. O cenário descrito na questão ilustra um comportamento de "pré-confiabilidade", onde o residente da noite demonstra uma comunicação superficial e incompleta, sem fornecer detalhes essenciais sobre a paciente ou verificar a compreensão do colega. Essa atitude, somada à ausência de registros médicos atualizados após a admissão pela ginecologia, compromete gravemente a segurança do paciente, pois informações cruciais para o manejo podem ser perdidas ou mal interpretadas, levando a atrasos no tratamento ou a condutas inadequadas. Uma passagem de plantão eficaz exige mais do que uma simples transmissão de informações; ela requer uma comunicação bidirecional, com oportunidade para perguntas, esclarecimentos e verificação da compreensão. Além disso, o registro médico no prontuário deve ser um reflexo fiel e completo da evolução do paciente, conforme preconizado pelo Código de Ética Médica. Falhas nesses processos não apenas expõem o paciente a riscos, mas também refletem uma lacuna na formação e na responsabilidade profissional, sendo um ponto de atenção para a educação médica continuada.

Perguntas Frequentes

Quais são os elementos essenciais de uma passagem de plantão segura e eficaz?

Uma passagem de plantão segura deve incluir identificação do paciente, resumo do caso, problemas ativos, plano de tratamento, pendências, e oportunidades para perguntas e respostas, garantindo comunicação bidirecional e verificação das informações.

O que significa 'pré-confiabilidade' no contexto médico?

Pré-confiabilidade refere-se a um estágio inicial de desenvolvimento profissional onde o indivíduo ainda não demonstra total competência e responsabilidade autônoma, necessitando de supervisão e comunicação mais estruturada para garantir a segurança do paciente, como demonstrado na passagem de plantão superficial.

Como o Código de Ética Médica aborda o registro em prontuário?

O Código de Ética Médica exige que o prontuário seja claro, preciso, legível e completo, registrando todas as informações relevantes sobre o paciente, incluindo anamnese, exame físico, exames complementares, diagnóstico, tratamento e evolução. A ausência de registros adequados é uma falha ética e profissional.

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