HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2020
Criança de 8 anos, com história de ter apresentado quadro febril acompanhado de rash cutâneo há 10 dias, já resolvidos, é trazida com história de estar mais hipoativa e pálida. O pai tem antecedente de anemia desde a infância. Ao exame físico, está taquicárdica e descorada 3+/4, com o restante do exame sem alterações. O hemograma revelou: Hb = 6,8 g/dL, Ht = 30%, VCM = 65μ, RDW = 13%, leucócitos = 5700 (2% bastonetes, 48% segmentados, 3% eosinófilos, 47% linfócitos), plaquetas = 200 mil/mm³, reticulóticos = 0,4%. A principal hipótese diagnóstica é
Criança pós-rash + anemia grave + reticulócitos ↓ + VCM ↓ + traço talassêmico = Infecção por parvovírus B19.
A infecção por parvovírus B19 em pacientes com doenças hemolíticas crônicas (como o traço talassêmico) pode precipitar uma crise aplásica transitória, caracterizada por anemia grave e reticulocitopenia, devido à supressão da eritropoiese na medula óssea.
A anemia em crianças é um achado comum na prática pediátrica, mas a investigação da etiologia é crucial, especialmente em casos de anemia grave e aguda. A história de um quadro febril com rash cutâneo prévio, seguido por palidez e hipoatividade, deve levantar a suspeita de infecção viral, e a presença de um antecedente familiar de anemia (como o traço talassêmico) direciona ainda mais a investigação. Neste cenário, a infecção por parvovírus B19 é a principal hipótese diagnóstica. O parvovírus B19 é o agente etiológico do eritema infeccioso (quinta doença), caracterizado por febre e rash cutâneo. No entanto, sua principal patogenicidade hematológica reside na capacidade de infectar e destruir os precursores eritroides na medula óssea, levando a uma supressão transitória da eritropoiese. Em indivíduos saudáveis, essa supressão é geralmente assintomática ou causa uma anemia leve e autolimitada. Contudo, em pacientes com doenças hemolíticas crônicas, como a anemia falciforme ou o traço talassêmico (que já possuem uma vida útil reduzida das hemácias e dependem de uma eritropoiese acelerada), a infecção por parvovírus B19 pode precipitar uma crise aplásica transitória grave, com queda acentuada da hemoglobina e reticulocitopenia. O hemograma da criança, com Hb = 6,8 g/dL, VCM = 65μ (microcitose), e reticulócitos = 0,4% (reticulocitopenia), é altamente sugestivo de uma crise aplásica em um paciente com microcitose pré-existente (compatível com traço talassêmico). O tratamento é de suporte, podendo incluir transfusões de concentrado de hemácias. Residentes devem estar atentos a essa condição, pois o reconhecimento precoce e a intervenção adequada são vitais para evitar complicações graves.
Os sinais incluem anemia grave (Hb muito baixa), palidez, hipoatividade, taquicardia e, crucialmente, reticulocitopenia (reticulócitos muito baixos), indicando supressão da medula óssea.
O parvovírus B19 infecta e destrói precursores eritroides na medula óssea. Em pacientes com doenças hemolíticas (como talassemia), que já têm uma vida útil de hemácias reduzida, essa supressão medular leva rapidamente a uma anemia grave.
O traço talassêmico (ou talassemia menor) geralmente se manifesta com microcitose (VCM baixo) e hipocromia (HCM baixo), com ou sem anemia leve, e RDW normal.
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