Parto Vaginal Operatório: Indicações e Tipos de Fórceps

HIFA - Hospital Materno Infantil Francisco de Assis (ES) — Prova 2023

Enunciado

Paciente primigesta, gestação de 40 semanas e pré-natal sem intercorrências. Admitida às 6hs no centro obstétrico em fase ativa do trabalho de parto, colo 90% apagado, com dilatação de 5cm, DU=2/30”/10’. Apresentação cefálica, bolsa íntegra, BCF 140bpm, plano de De Lee -3, transverso à direita. Avaliação das 11h mostrou colo fino central, permeável para 6cm, plano De Lee zero, transverso à direita, amniorrexe com líquido claro traçado cardiotocográfico tranquilizador. Às 13h, dilatação de 7cm, De Lee +1, occipito direito anterior. Às 15h apresentava 10cm de dilatação, De Lee +2, occipito púbico. Às 19h paciente está completamente exausta e ainda se encontra com 10cm, De Lee de +2, líquido meconial fluido e BCF 100bpm, 4/40”/10”. Considerando o caso descrito, a conduta MAIS apropriada nesse momento é o:

Alternativas

  1. A) Parto vaginal operatório e indicação do uso de vácuo extrator.
  2. B) Parto vaginal operatório e indicação de fórceps de Simpson.
  3. C) Parto vaginal operatório e indicação de fórceps de Kieland.
  4. D) Parto operatório e indicação de cesariana de urgência.

Pérola Clínica

Segundo estágio prolongado + sofrimento fetal + exaustão materna → Parto vaginal operatório (fórceps/vácuo).

Resumo-Chave

Em casos de segundo estágio prolongado com sinais de sofrimento fetal (BCF alterado, líquido meconial) e exaustão materna, o parto vaginal operatório é indicado para acelerar o nascimento. A escolha do fórceps depende da posição e do grau de encavalgamento da cabeça fetal.

Contexto Educacional

O parto vaginal operatório, seja por fórceps ou vácuo extrator, é uma intervenção obstétrica crucial para resolver distocias no segundo estágio do trabalho de parto. Sua importância reside na capacidade de acelerar o nascimento em situações de risco materno ou fetal, como sofrimento fetal agudo, exaustão materna ou falha de progressão. A decisão de intervir e a escolha do instrumento dependem de uma avaliação cuidadosa da condição materno-fetal e da experiência do obstetra. A fisiopatologia da distocia de progressão pode envolver fatores relacionados à força uterina (contrações ineficazes), ao trajeto (bacia inadequada) ou ao objeto (apresentação ou posição fetal anômala). No caso descrito, a apresentação occipito púbica, embora não seja uma malposição clássica de distocia de rotação, pode dificultar a descida e a rotação final. Sinais de sofrimento fetal, como bradicardia e líquido meconial, somados à exaustão materna, indicam a necessidade de intervenção imediata. O tratamento envolve a escolha do instrumento mais adequado. O fórceps de Simpson é ideal para tração em fetos com cabeça bem engajada e moldada, como no caso de De Lee +2 e occipito púbico, onde a principal necessidade é a tração para auxiliar a expulsão. É fundamental que residentes dominem as indicações, contraindicações e técnicas de cada tipo de fórceps para garantir a segurança da mãe e do bebê, evitando complicações como lacerações e traumas fetais.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais indicações para o uso de fórceps obstétrico?

As principais indicações incluem segundo estágio prolongado, sofrimento fetal agudo, exaustão materna e certas condições maternas que contraindicam o esforço de puxo prolongado.

Qual a diferença entre o fórceps de Simpson e o fórceps de Kieland?

O fórceps de Simpson é utilizado para tração em cabeças fetais bem engajadas e moldadas, enquanto o fórceps de Kieland é projetado para rotação da cabeça fetal em casos de malposições.

Quando considerar o parto vaginal operatório em um segundo estágio prolongado?

O parto vaginal operatório deve ser considerado quando há falha na progressão do trabalho de parto, evidência de sofrimento fetal ou exaustão materna, após um período adequado de puxo.

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