Sofrimento Fetal no Expulsivo: Quando Usar Fórcipe?

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2026

Enunciado

Gestante G3P0, 40 semanas, período expulsivo há 50 min, analgesiada por duplo bloqueio, apresenta desaceleração prolongada de 6 min na cardiotocografia, não responsiva a medidas iniciais de ressuscitação fetal. Ao toque: dilatação total, occípito-direita-anterior, plano +2 de De Lee, pelve adequada e líquido claro. Qual a conduta mais adequada nesse momento?

Alternativas

  1. A) Monitorar e aguardar recuperação.
  2. B) Cesariana de emergência.
  3. C) Iniciar ocitocina para abreviar expulsivo.
  4. D) Parto vaginal instrumental imediato (fórcipe/vácuo).

Pérola Clínica

Sofrimento fetal no expulsivo + cabeça em +2 De Lee → Parto instrumental imediato (via mais rápida).

Resumo-Chave

Diante de uma bradicardia fetal ou desaceleração prolongada no período expulsivo, com o feto em plano baixo (+2 ou mais), o parto instrumental é a conduta de escolha por ser mais rápido que uma cesariana de emergência.

Contexto Educacional

O manejo do sofrimento fetal agudo no segundo estágio do parto exige rapidez e precisão técnica. A cardiotocografia com desacelerações prolongadas ou padrão categoria III indica uma reserva fetal exaurida. Quando a cabeça fetal está profundamente encaixada na pelve (+2 de De Lee ou mais), o parto instrumental torna-se a ferramenta mais valiosa do obstetra. O uso de fórcipe ou vácuo-extrator permite a extração imediata, reduzindo o risco de asfixia neonatal grave. A escolha entre fórcipe e vácuo depende da experiência do operador e da variedade de posição, sendo o fórcipe geralmente mais eficaz em situações de sofrimento fetal agudo por permitir uma tração mais vigorosa e rápida.

Perguntas Frequentes

Quais as condições para realizar o parto instrumental?

Para a aplicação de fórcipe ou vácuo-extrator, critérios rigorosos devem ser preenchidos: dilatação cervical total (10 cm), membranas rotas, pelve materna proporcional ao tamanho fetal (ausência de desproporção cefalopélvica), conhecimento preciso da variedade de posição da cabeça fetal e, crucialmente, o feto deve estar em plano adequado (geralmente plano +2 de De Lee ou inferior). Além disso, a bexiga materna deve estar vazia e deve haver analgesia adequada para o procedimento.

Por que não indicar cesariana neste caso?

No período expulsivo avançado, com a apresentação fetal no plano +2 de De Lee, a realização de uma cesariana de emergência demanda tempo para preparo cirúrgico, anestesia e abertura de planos, o que pode levar de 10 a 20 minutos. O parto instrumental (fórcipe ou vácuo) pode ser executado em poucos minutos por um obstetra experiente, abreviando o tempo de hipóxia fetal. Além disso, extrair uma cabeça fetal muito baixa via abdominal aumenta o risco de lacerações uterinas e trauma fetal.

Como diferenciar desaceleração prolongada de bradicardia?

A desaceleração prolongada é definida como uma queda na frequência cardíaca fetal (FCF) de pelo menos 15 bpm abaixo da linha de base, durando entre 2 e 10 minutos. Se a queda durar mais de 10 minutos, é classificada como alteração da linha de base (bradicardia). No contexto do período expulsivo, ambas indicam urgência, mas a desaceleração prolongada não responsiva às manobras de ressuscitação intrauterina (decúbito lateral, oxigênio, hidratação) exige a interrupção imediata da gestação pela via mais rápida disponível.

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