HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2025
Mulher gestante, de 26 anos de idade, com idade gestacional de 40 semanas, comparece ao pronto atendimento obstétrico após ser orientada pelo pré-natal da Unidade Básica de Saúde a ser internada para resolução da gestação. Não tem queixas no momento, mas expressa que deseja muito que o parto seja normal. Tem uma gestação prévia com parto cesárea há 3 anos, sendo esta indicada por distócia funcional, sem intercorrências. Teve diabetes gestacional na gestação atual, bem controlado com dieta. Nega outras comorbidades prévias. Ao exame, está em bom estado geral, corada, hidratada e afebril. Tem pressão arterial de 112x76mmHg, frequência cardíaca de 87bpm, altura uterina de 35cm e batimento cardíaco fetal de 129bpm. Dinâmica uterina ausente, com tônus uterino normal e movimentação fetal presente. Ao toque vaginal, apresenta colo grosso, medianizado, com dilatação de 2cm, bolsa íntegra e apresentação fixa. A amnioscopia evidencia líquido claro com grumos. Sua última ultrassonografia, realizada com 36 semanas, evidenciou feto cefálico, com dorso à direita, placenta posterior grannum III, peso fetal estimado de 3215g (percentil 85), índice de líquido amniótico de 152mm e doppler da artéria umbilical dentro da normalidade para a idade gestacional. Considerando que a vitalidade fetal está adequada, qual é a orientação que deve ser dada à paciente com relação à resolução da gestação e via de parto?
Gesta com cesárea prévia + colo desfavorável + desejo de PVAC → Internar para amadurecimento cervical com métodos mecânicos (ex: Foley).
Em gestantes com cesárea prévia e desejo de parto vaginal, a indução do trabalho de parto é possível, mas exige cautela. Se o colo estiver desfavorável (Bishop baixo), métodos mecânicos de amadurecimento cervical, como o cateter de Foley, são preferíveis aos farmacológicos (prostaglandinas, ocitocina) devido ao menor risco de hiperestimulação e ruptura uterina.
A tentativa de parto vaginal após cesariana (TPVAC) é uma opção segura e recomendada para muitas gestantes com uma cesariana prévia, especialmente aquelas com uma única cesariana segmentar transversal baixa. O desejo da paciente e a avaliação cuidadosa dos fatores de risco e prognóstico são cruciais para a tomada de decisão. No caso de uma gestante a termo com desejo de TVPAC e um colo uterino desfavorável (indicado por um baixo escore de Bishop, como colo grosso e medianizado com apenas 2cm de dilatação), o amadurecimento cervical é um passo necessário antes da indução do trabalho de parto. A escolha do método de amadurecimento é de suma importância devido ao risco de ruptura uterina em pacientes com cicatriz uterina prévia. Métodos mecânicos, como o cateter de Foley transcervical, são considerados seguros e eficazes para o amadurecimento cervical em gestantes com cesariana prévia. Eles atuam por pressão mecânica e liberação endógena de prostaglandinas, com um risco significativamente menor de hiperestimulação uterina e ruptura quando comparados aos agentes farmacológicos como as prostaglandinas exógenas (misoprostol), que são geralmente contraindicadas nesse cenário. A ocitocina pode ser usada para indução ou aumento do trabalho de parto após o amadurecimento cervical, mas com doses cuidadosamente tituladas e monitoramento contínuo. A macrossomia fetal, definida geralmente como peso >4000g ou >P90, não se aplica ao caso (3215g, P85), e a diabetes gestacional bem controlada não contraindica a TVPAC por si só.
Sim, a indução do trabalho de parto é possível em gestantes com cesárea prévia que desejam uma tentativa de parto vaginal (TPVAC), desde que não haja contraindicações e o risco-benefício seja cuidadosamente avaliado.
Em gestantes com cesárea prévia e colo desfavorável, métodos mecânicos de amadurecimento cervical, como o cateter de Foley transcervical, são geralmente preferidos. Eles apresentam menor risco de hiperestimulação uterina e ruptura quando comparados às prostaglandinas.
O principal risco da indução em gestantes com cesárea prévia é a ruptura uterina, especialmente com o uso de prostaglandinas ou doses elevadas de ocitocina. Por isso, a monitorização contínua e a seleção cuidadosa do método são fundamentais.
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