Parto Vaginal Após Cesariana (PVAC): Mitos e Fatos

UFPR/HC - Complexo Hospital de Clínicas da UFPR (PR) — Prova 2020

Enunciado

CD, 30 anos, G1, 37+2 semanas, pré-natal de baixo risco, vem à consulta de rotina solicitando resolução da gestação por cesariana. Refere ter receio da dor do parto e muito medo de óbito fetal, já que sua irmã teve um óbito fetal intraparto recente. Com relação à operação cesariana, assinale a alternativa INCORRETA.

Alternativas

  1. A) A cesariana a pedido representa 14 a 22% de todas as cesarianas eletivas e, para a plena fluência dessa problemática na prática obstétrica, os aspectos éticos e legais devem ser cuidadosamente trabalhados por meio do consentimento informado.
  2. B) Além de todos os cuidados de antissepsia adotados, a antibioticoprofilaxia deve ser medida rotineira na cesariana e deve ser realizada antes do início do procedimento.
  3. C) Dentre as complicações da cesariana para o futuro reprodutivo, destaca-se a placentação inadequada junto à cicatriz uterina anterior, o que predispõe à placenta prévia e ao acretismo placentário.
  4. D) Ainda que a cesariana possa ser realizada a pedido da paciente, o médico assistente deve lembrá-la de que as próximas gestações necessariamente deverão ser resolvidas por cesariana, respeitando o princípio de Cragin, de que “uma vez cesárea, sempre cesárea”.
  5. E) A cesariana a pedido antes de 39 semanas de gestação não é recomendada para mulheres que desejam vários filhos.

Pérola Clínica

"Uma vez cesárea, sempre cesárea" é um conceito ULTRAPASSADO; PVAC é uma opção segura em casos selecionados.

Resumo-Chave

O princípio "uma vez cesárea, sempre cesárea" (Cragin) é obsoleto. O parto vaginal após cesariana (PVAC) é uma opção segura e recomendada para muitas mulheres com cesariana anterior, desde que preencham critérios específicos e não apresentem contraindicações. A decisão deve ser individualizada e baseada em evidências.

Contexto Educacional

A cesariana é um procedimento cirúrgico que salva vidas, mas seu aumento indiscriminado tem gerado preocupações devido aos riscos associados, tanto para a mãe quanto para o bebê, especialmente em gestações futuras. A cesariana a pedido, embora seja uma opção para a paciente, deve ser precedida de um consentimento informado detalhado, abordando os riscos e benefícios em comparação com o parto vaginal. Um dos pontos cruciais a ser desmistificado é o antigo adágio de Cragin, "uma vez cesárea, sempre cesárea". Este princípio é considerado obsoleto na obstetrícia moderna. Atualmente, o Parto Vaginal Após Cesariana (PVAC) é uma opção segura e recomendada para muitas mulheres que tiveram uma cesariana anterior, desde que preencham critérios específicos, como uma única cesariana prévia com incisão uterina transversal baixa e ausência de contraindicações. As complicações da cesariana para o futuro reprodutivo incluem o aumento do risco de placentação inadequada, como placenta prévia e acretismo placentário, que podem levar a hemorragias graves e necessidade de histerectomia. A antibioticoprofilaxia antes do início da cirurgia é uma medida rotineira e essencial para reduzir o risco de infecções pós-operatórias. Além disso, a cesariana eletiva antes de 39 semanas de gestação não é recomendada devido aos riscos de imaturidade pulmonar e outras complicações neonatais.

Perguntas Frequentes

O que significa o princípio "uma vez cesárea, sempre cesárea" e ele ainda é válido?

O princípio "uma vez cesárea, sempre cesárea" (Cragin) sugeria que, após uma cesariana, todos os partos subsequentes deveriam ser cesarianas. Atualmente, esse conceito é considerado obsoleto, e o parto vaginal após cesariana (PVAC) é uma opção segura para muitas mulheres.

Quais são os principais riscos de múltiplas cesarianas?

Múltiplas cesarianas aumentam o risco de complicações como acretismo placentário, placenta prévia, ruptura uterina em gestações futuras, além de maiores taxas de histerectomia e lesões de órgãos adjacentes.

Quais são os critérios para uma mulher ser candidata ao parto vaginal após cesariana (PVAC)?

Geralmente, os critérios incluem uma única cesariana prévia com incisão uterina transversal baixa, ausência de contraindicações para parto vaginal, ausência de outras cicatrizes uterinas e disponibilidade de equipe e estrutura para uma cesariana de emergência, se necessário.

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