UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2019
Gestante G2P1(C1)A0, 28 anos, último parto há 2 anos, idade gestacional= 39 semanas. Admitida com dor em baixo ventre e cólicas uterinas há cerca de 12 horas; nega perda de líquido via vaginal. Ao exame: feto vivo, único, cefálico, longitudinal, dorso à direita, ODA, colo amolecido, dilatado 4 cm e esvaecido 70%; 2 metrossístoles em 10 minutos; bolsa íntegra e De Lee= 0. Qual a melhor conduta:
Multípara com cesariana prévia e trabalho de parto ativo → conduzir parto vaginal com suporte.
Em gestantes com cesariana prévia e intervalo interpartal adequado, o parto vaginal é uma opção segura se não houver contraindicações. O suporte à parturiente com métodos não farmacológicos de alívio da dor e mobilidade é crucial.
O manejo do trabalho de parto em gestantes com cesariana prévia é um tema de grande relevância na obstetrícia, com a possibilidade de Parto Vaginal Após Cesariana (PVAC) sendo uma opção segura para muitas mulheres. A decisão deve ser individualizada, considerando fatores como o tipo de incisão uterina prévia (transversal baixa é a mais favorável), o número de cesarianas anteriores, o intervalo interpartal e a ausência de contraindicações obstétricas ou médicas para o parto vaginal. No caso apresentado, a gestante é uma multípara com uma cesariana prévia há 2 anos, um intervalo considerado seguro para o PVAC. Ela está em trabalho de parto ativo, com dilatação de 4 cm e esvaecimento de 70%, e o feto em apresentação cefálica com variedade de posição favorável (ODA). Não há sinais de distocia ou sofrimento fetal. Nessas condições, a conduta mais apropriada é a condução do parto vaginal, com monitoramento cuidadoso e suporte à parturiente. A promoção da mobilidade e o uso de métodos de alívio da dor são pilares do cuidado humanizado no trabalho de parto, contribuindo para o bem-estar materno e, muitas vezes, para a progressão fisiológica do parto. A ocitocina pode ser considerada em casos de distocia funcional, mas não é a conduta inicial em um trabalho de parto que parece estar evoluindo normalmente. A indicação de cesariana deve ser reservada para situações de falha de progressão, sofrimento fetal ou outras complicações.
Os critérios incluem uma única cesariana prévia com incisão uterina transversal baixa, ausência de outras contraindicações para parto vaginal, pelve clinicamente adequada e disponibilidade de equipe e estrutura para cesariana de emergência.
Um intervalo interpartal curto (geralmente < 18-24 meses) aumenta o risco de ruptura uterina. No caso da questão, 2 anos é um intervalo adequado, favorecendo o PVAC.
A mobilidade da parturiente e o uso de métodos não farmacológicos de alívio da dor podem promover o conforto, otimizar a progressão do trabalho de parto e reduzir a necessidade de intervenções.
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