Parto Vaginal Após Cesárea (PVAC): Conduta e Humanização

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

Secundigesta (G2P1C1A0), 32 anos, com 39 semanas de gestação, interna na fase ativa do trabalho de parto espontâneo. Relata cesárea prévia, há 3 anos, por "parada de dilatação cujo recém-nascido pesou 3750 gramas. Exame físico geral normal, altura uterina 34 cm. A monitorização intraparto está demonstrada abaixo (Figura 1), assim como a evolução do trabalho de parto, até às 14h (Figura 2)De acordo com o Programa de Humanização do Parto do Ministério da Saúde do Brasil, qual seria a conduta para essa parturiente?

Alternativas

  1. A) Evitar uso de analgesia farmacológica de parto.
  2. B) Indicar resolução da gestação por parto cesárea.
  3. C) Prescrever infusão endovenosa de ocitocina.
  4. D) Manter assistência obstétrica habitual.

Pérola Clínica

Parturiente com cesárea prévia e trabalho de parto espontâneo → manter assistência obstétrica habitual, priorizando PVAC se sem contraindicações.

Resumo-Chave

Uma paciente com cesárea prévia e trabalho de parto espontâneo, sem evidências de sofrimento fetal ou outras contraindicações, deve ter sua assistência obstétrica mantida de forma habitual. O Programa de Humanização do Parto do MS incentiva o Parto Vaginal Após Cesárea (PVAC) em casos selecionados, com monitoramento rigoroso.

Contexto Educacional

O Parto Vaginal Após Cesárea (PVAC) é uma opção segura e recomendada para muitas mulheres com uma cesárea prévia, especialmente quando o trabalho de parto se inicia espontaneamente. O Programa de Humanização do Parto do Ministério da Saúde do Brasil incentiva o PVAC, reconhecendo seus benefícios para a saúde materna e neonatal, como menor risco de infecção, menor tempo de recuperação e menor risco de complicações em gestações futuras. A decisão deve ser individualizada, considerando os fatores de risco e o desejo da parturiente. No caso de uma secundigesta com cesárea prévia há 3 anos por parada de dilatação, sem outras intercorrências e com trabalho de parto espontâneo a termo, a conduta inicial deve ser a manutenção da assistência obstétrica habitual. Isso inclui monitorização contínua da vitalidade fetal e da progressão do trabalho de parto, avaliação da dilatação cervical e da descida fetal. A ausência das figuras impede uma análise mais detalhada, mas a premissa é que, se não houver sinais de sofrimento fetal ou rotura uterina iminente, o parto vaginal pode ser tentado. É importante ressaltar que a indução do trabalho de parto com ocitocina ou o uso de prostaglandinas em pacientes com cesárea prévia aumenta o risco de rotura uterina e deve ser evitado ou usado com extrema cautela. A analgesia farmacológica é uma opção para alívio da dor e não deve ser evitada se a paciente desejar. A indicação de cesárea de repetição deve ser reservada para casos com contraindicações claras ao PVAC ou falha na progressão do trabalho de parto, sempre com base em evidências e respeito à autonomia da mulher.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para tentar um Parto Vaginal Após Cesárea (PVAC)?

Os critérios incluem uma única cesárea prévia com incisão uterina transversal baixa, ausência de contraindicações para parto vaginal, ausência de cicatriz uterina prévia de alto risco e desejo da paciente, com acompanhamento em ambiente hospitalar seguro.

Qual o principal risco associado ao PVAC?

O principal risco é a rotura uterina, embora seja um evento raro (0,5-1% em pacientes selecionadas). A monitorização contínua da mãe e do feto é crucial para detectar sinais precoces de complicação.

O uso de ocitocina é permitido no PVAC?

O uso de ocitocina para indução ou condução do trabalho de parto em PVAC é controverso e deve ser feito com extrema cautela e em doses baixas, devido ao risco aumentado de rotura uterina. Muitos protocolos preferem evitar a indução e conduzir o trabalho de parto espontâneo.

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