FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2021
Tercigesta, com dois partos normais anteriores prematuros, iniciou pré-natal no Hospital dos Plantadores de Cana com Dra. Consuelo. Ao completar 23 semanas, a pré natalista solicitou ultrassom transvaginal para avaliação do comprimento cervical. Retornou a consulta com o resultado do ultrassom: comprimento cervical medindo 2,0 cm, orifício interno fechado. Nesse caso, a melhor conduta, dentre as opções, é:
História de parto prematuro + colo curto (<2,5 cm) na USG transvaginal → Progesterona vaginal até 36 semanas.
Em gestantes com história de parto prematuro espontâneo e colo uterino curto (<2,5 cm) detectado por ultrassom transvaginal no segundo trimestre, a progesterona micronizada via vaginal é a conduta de escolha para reduzir o risco de recorrência do parto prematuro.
O parto prematuro, definido como o nascimento antes de 37 semanas de gestação, é a principal causa de morbimortalidade neonatal em todo o mundo. A identificação de gestantes de risco e a implementação de estratégias preventivas são cruciais na prática obstétrica. Um dos principais fatores de risco é a história de parto prematuro espontâneo anterior, e o comprimento cervical curto, avaliado por ultrassonografia transvaginal, é um marcador preditivo importante. A ultrassonografia transvaginal para avaliação do comprimento cervical é recomendada em gestantes com fatores de risco, como história de parto prematuro. Um comprimento cervical de 2,0 cm (20 mm) em 23 semanas, especialmente com história de partos prematuros anteriores, configura um alto risco. Nesses casos, a progesterona micronizada via vaginal é a intervenção mais eficaz e segura para reduzir a taxa de parto prematuro. A progesterona atua localmente no colo, modulando a inflamação e mantendo a quiescência uterina. A administração vaginal é preferível devido à sua ação direta e menor absorção sistêmica. A cerclagem cervical, embora também seja uma medida preventiva, é geralmente reservada para casos mais graves de insuficiência istmocervical ou colo extremamente curto, ou após falha da progesterona. O rastreamento de estreptococo beta hemolítico e a administração de nifedipina/betametasona são condutas para outras situações, não sendo a primeira linha para colo curto assintomático.
O comprimento cervical é considerado curto quando mede menos de 2,5 cm (ou 25 mm) em gestantes assintomáticas, especialmente entre 18 e 24 semanas de gestação, sendo um fator de risco significativo para parto prematuro.
A progesterona vaginal atua localmente no colo uterino, promovendo o relaxamento do miométrio, inibindo contrações e fortalecendo o colo, o que ajuda a prevenir o encurtamento cervical e, consequentemente, o parto prematuro em gestantes de risco.
A cerclagem cervical é indicada em gestantes com história de três ou mais partos prematuros ou perdas gestacionais no segundo trimestre, ou em casos de insuficiência istmocervical diagnosticada, ou ainda em gestantes com colo muito curto (<10-15 mm) antes de 24 semanas, mesmo sem história prévia.
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