HRAC-USP/Centrinho - Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais - Bauru (SP) — Prova 2025
Mulher, 25 anos de idade, G2P1A0, com 1 parto pré-termo anterior espontâneo com 33 semanas sem intercorrências, encontra-se em seguimento pré-natal em uso de progesterona via vaginal. Comparece no ambulatório para realizar ultrassom morfológico e medida do colo uterino com 20 semanas de gestação. O ultrassom morfológico está sem alterações e a avaliação do colo uterino com 2,8 cm (28 mm) de comprimento. Assinale a alternativa que apresenta a conduta clínica adequada.
História de PPT + progesterona vaginal + colo 28mm em 20s → Manter progesterona para prevenção.
Em gestantes com história de parto pré-termo anterior e colo uterino com comprimento de 28 mm na 20ª semana, a manutenção da progesterona vaginal é a conduta adequada. A progesterona é eficaz na redução do risco de recorrência de parto pré-termo, e um colo de 28 mm, embora não ideal, pode se beneficiar da continuidade da terapia.
O parto pré-termo (PPT), definido como o nascimento antes de 37 semanas completas de gestação, é a principal causa de morbimortalidade neonatal em todo o mundo. A história de um PPT anterior é o fator de risco mais significativo para recorrência, aumentando o risco em 2 a 4 vezes. A identificação precoce de gestantes de alto risco e a implementação de estratégias preventivas são cruciais para melhorar os desfechos perinatais. A fisiopatologia do PPT é multifatorial, envolvendo inflamação, infecção, estresse uterino, insuficiência cervical e fatores genéticos. A medida do comprimento do colo uterino por ultrassom transvaginal no segundo trimestre (entre 18 e 24 semanas) é uma ferramenta diagnóstica importante para identificar gestantes com colo uterino curto, que é um marcador de risco para PPT. Um colo de 28 mm, embora não seja extremamente curto, ainda pode se beneficiar de intervenções em pacientes de alto risco. Para gestantes com história de PPT anterior, a progesterona vaginal é a principal intervenção farmacológica para reduzir o risco de recorrência. Seu mecanismo de ação envolve o relaxamento do miométrio e a modulação da resposta inflamatória cervical. A manutenção da progesterona é a conduta adequada para a paciente descrita, pois ela já está em uso e o comprimento cervical, embora não seja um corte para cerclagem, justifica a continuidade da prevenção. A cerclagem cervical é reservada para casos mais graves de encurtamento cervical ou incompetência istmocervical.
A progesterona vaginal atua relaxando o músculo uterino, inibindo contrações, e fortalecendo o colo uterino, prevenindo seu encurtamento prematuro. É indicada para gestantes com história de parto pré-termo espontâneo ou com colo uterino curto detectado no ultrassom.
A cerclagem cervical é geralmente indicada para gestantes com história de incompetência istmocervical (dilatação cervical assintomática no segundo trimestre) ou para aquelas com história de parto pré-termo espontâneo e colo uterino muito curto (geralmente < 25 mm) antes de 24 semanas, apesar do uso de progesterona.
A medida do colo uterino por ultrassom transvaginal entre 18 e 24 semanas de gestação é uma ferramenta importante para identificar gestantes com risco aumentado de parto pré-termo, permitindo a implementação de intervenções preventivas como a progesterona vaginal ou, em casos selecionados, a cerclagem.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo