Parto Pré-termo: Prevenção e Manejo Tocolítico

UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2023

Enunciado

"O parto pré-termo é aquele que ocorre em até 36 semanas e 6 dias de idade gestacional, excluindo o período considerado como de abortamento. Sua ocorrência é grande em todo mundo; no Brasil, está em torno de 11%. As complicações da prematuridade são a maior causa de morte neonatal. São três as principais causas de partos pré-termo: o trabalho de parto prematuro, a rotura prematura pré-termo das membranas ovulares e a prematuridade terapêutica (quando alguma condição mórbida materna e/ou fetal ocasiona a antecipação do parto).” - Manual de gestação de alto risco [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Departamento de Ações Programáticas. – Brasília: Ministério da Saúde, 2022. Avalie as afirmativas abaixo: I. O uso de progesterona via vaginal é recomendado para mulheres que tiveram parto prematuro espontâneo anterior, independentemente da medida de colo uterino com o objetivo de prevenir o parto pré-termo.II. A administração de corticosteroides tem como resultado acelerar a maturação pulmonar fetal e reduzir hemorragia periventricular porém aumenta o risco de enterocolite necrosante. III. A nifedipina, que tem sido recomendada como primeira escolha na tocólise, cujo objetivo é evitar o parto no período de 48 horas, possivelmente, por até 7 dias. Esse ganho de tempo é considerado benéfico para garantir tempo adequado para administração de corticosteroide e/ou transferência da gestante para uma instituição com maiores recursos antes que ocorra o parto prematuro.IV. A antibioticoprofilaxia para estreptococo do grupo B está indicada apenas nos casos de partos pré-termo associados a rotura prematura pré-termo das membranas ovulares, sendo dispensada nos casos com membranas integras. Sobre a prematuridade, é correto o que se afirma em:

Alternativas

  1. A) I apenas.
  2. B) I e III apenas.
  3. C) I, II e III apenas.
  4. D) III apenas.
  5. E) I, II, III e IV.

Pérola Clínica

Prevenção parto pré-termo: progesterona vaginal (história prévia) e tocólise com nifedipina para ganho de tempo.

Resumo-Chave

A progesterona vaginal é indicada para prevenção de parto pré-termo em mulheres com história de parto prematuro espontâneo. A nifedipina é a primeira escolha para tocólise, visando postergar o parto por 48h-7d para administração de corticoides e/ou transferência.

Contexto Educacional

O parto pré-termo, definido como aquele que ocorre antes de 37 semanas de gestação, é a principal causa de morbimortalidade neonatal globalmente. Sua etiologia é multifatorial, incluindo trabalho de parto prematuro espontâneo, rotura prematura pré-termo das membranas ovulares (RPMO) e prematuridade terapêutica. A identificação de gestantes de risco e a implementação de estratégias preventivas e terapêuticas são cruciais. A prevenção do parto pré-termo envolve o uso de progesterona vaginal em mulheres com história de parto pré-termo espontâneo ou com colo uterino curto. No manejo da ameaça de parto pré-termo, a tocólise, com nifedipina como primeira escolha, visa prolongar a gestação por 48 horas a 7 dias, período essencial para a administração de corticosteroides para maturação pulmonar fetal e, se necessário, a transferência da gestante para um centro de maior complexidade. Os corticosteroides reduzem significativamente a morbimortalidade neonatal, incluindo síndrome do desconforto respiratório e hemorragia periventricular, e não aumentam o risco de enterocolite necrosante. A antibioticoprofilaxia para Estreptococo do Grupo B (GBS) é indicada em casos de parto pré-termo associados à RPMO ou em outras situações de risco, mas não é universalmente dispensada em casos com membranas íntegras se houver outros fatores de risco. O sulfato de magnésio também é um neuroprotetor fetal importante em partos pré-termo iminentes antes de 32 semanas. O conhecimento aprofundado dessas condutas é fundamental para a prática obstétrica e para a saúde neonatal.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais indicações para o uso de progesterona na prevenção do parto pré-termo?

A progesterona vaginal é recomendada para mulheres com história de parto pré-termo espontâneo anterior e para aquelas com colo uterino curto detectado na ultrassonografia, com o objetivo de reduzir o risco de recorrência.

Qual o papel dos corticosteroides na ameaça de parto pré-termo?

Os corticosteroides (betametasona ou dexametasona) são administrados para acelerar a maturação pulmonar fetal, reduzir a incidência de síndrome do desconforto respiratório, hemorragia intraventricular e enterocolite necrosante em fetos prematuros, sem aumentar o risco de enterocolite.

Quando a antibioticoprofilaxia para Estreptococo do Grupo B (GBS) é indicada em partos pré-termo?

A antibioticoprofilaxia para GBS é indicada em partos pré-termo quando há rotura prematura de membranas ovulares (RPMO) ou quando o status de GBS é desconhecido e há fatores de risco, como febre intraparto ou trabalho de parto prolongado.

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