UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2023
Mulher, 29a, G1P0A0, 36 semanas de gestação, vem à consulta pré-natal e deseja parto normal. Exame físico e obstétrico normais para a idade gestacional, feto cefálico, com boa vitalidade. Antecedentes pessoais: HIV diagnosticado na décima semana de gestação, em uso regular de TARV potente. Carga viral realizada na 18ª e 35ª semanas de gestação: indetectável. Demais exames laboratoriais e ultrassonográficos normais. DE ACORDO COM O MINISTÉRIO DA SAÚDE, ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA SOBRE ESTE PLANO DE PARTO:
Gestante HIV com carga viral indetectável (>34 semanas) → Parto vaginal preferencial, evitar episiotomia, sem AZT IV.
De acordo com as diretrizes do Ministério da Saúde, gestantes HIV positivas com carga viral indetectável após 34 semanas de gestação podem ter parto vaginal, que é a via preferencial. Nesses casos, a rotura artificial de membranas e a episiotomia devem ser evitadas, e não há necessidade de profilaxia com AZT intravenoso durante o trabalho de parto, devido ao baixo risco de transmissão vertical.
A assistência ao parto em gestantes HIV positivas é um pilar fundamental na prevenção da transmissão vertical (TV) do vírus, que é a principal via de infecção em crianças. No Brasil, o Ministério da Saúde estabelece diretrizes claras para otimizar a saúde materno-infantil. A epidemiologia mostra uma redução drástica da TV com o uso de terapia antirretroviral (TARV) potente e manejo adequado do parto, tornando a carga viral materna um fator determinante na escolha da via de parto. A fisiopatologia da TV envolve a exposição do feto ao vírus durante a gestação, parto ou amamentação. O diagnóstico precoce do HIV na gestante e o início imediato da TARV são cruciais para suprimir a carga viral. Quando a carga viral é indetectável (inferior a 50 cópias/mL) após 34 semanas de gestação, o risco de TV é minimizado, permitindo uma abordagem mais conservadora e priorizando o parto vaginal, que oferece benefícios maternos e neonatais em comparação com a cesariana eletiva. O tratamento e manejo do parto para gestantes com carga viral indetectável incluem a preferência pela via vaginal, evitando-se procedimentos que aumentem a exposição fetal ao sangue materno, como a rotura artificial de membranas e a episiotomia. Nesses casos, a profilaxia com AZT intravenoso durante o trabalho de parto não é necessária, pois o benefício adicional é mínimo e o risco de TV já é muito baixo. O prognóstico para o bebê é excelente, com taxas de infecção próximas a zero. É essencial que os residentes dominem essas diretrizes para garantir a melhor assistência e resultados para mães e recém-nascidos.
A principal indicação para cesariana eletiva é a carga viral do HIV detectável (geralmente > 1.000 cópias/mL) ou desconhecida após 34 semanas de gestação, visando reduzir o risco de transmissão vertical durante o parto vaginal.
O AZT intravenoso é indicado durante o trabalho de parto para gestantes HIV positivas com carga viral detectável (> 1.000 cópias/mL) ou desconhecida após 34 semanas, como parte da profilaxia para reduzir a transmissão vertical do vírus.
Essas práticas devem ser evitadas pois aumentam o risco de exposição do feto ao sangue materno e secreções cervicovaginais, elevando o risco de transmissão vertical do HIV, independentemente da carga viral materna.
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