Parto Gemelar: Conduta na Apresentação Cefálica-Não Cefálica

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023

Enunciado

Gestante de 34 semanas, G2 P1 (parto vaginal), gestação gemelar monocoriônica e diamniótica, queixa-se de contrações há quatro horas. Exame físico: estado geral preservado, FCF: 140 bpm e 152 bpm, dinâmica uterina presente (duas contrações de 40 segundos em 10 minutos), toque: bolsa íntegra, apresentação cefálica, plano zero, colo dilatado para 6 cm, esvaecido 50%, medianizado. Peso estimado dos fetos: primeiro feto cefálico: 2.300 g e segundo feto pélvico: 1.900 g.Nesse caso, para a adequada assistência ao parto, a conduta deve ser:

Alternativas

  1. A) iniciar sulfato de magnésio antes de realizar a cesárea.
  2. B) realizar a operação cesariana de imediato.
  3. C) indicar parto vaginal com extração podal do segundo gemelar, se necessário.
  4. D) iniciar tocólise para permitir corticoterapia antenatal.
  5. E) cardiotocografia para avaliar vitalidade fetal e indicar se necessário cesariana.

Pérola Clínica

Parto gemelar (≥32 semanas), 1º cefálico, 2º não cefálico → parto vaginal é seguro, com extração podálica do 2º se necessário.

Resumo-Chave

Em gestação gemelar com o primeiro feto em apresentação cefálica e idade gestacional ≥ 32 semanas, o parto vaginal é uma opção segura, mesmo que o segundo feto esteja em apresentação não cefálica. A extração podálica do segundo gemelar pode ser realizada se houver dificuldades.

Contexto Educacional

A gestação gemelar, especialmente a monocoriônica, apresenta desafios únicos na assistência pré-natal e no parto devido aos riscos aumentados para a mãe e os fetos. A via de parto em gestações gemelares é um tópico de debate, mas diretrizes atuais favorecem o parto vaginal em muitas situações, especialmente quando o primeiro feto está em apresentação cefálica. A idade gestacional e o peso fetal também são fatores cruciais na tomada de decisão. No caso de trabalho de parto prematuro em gestação gemelar monocoriônica diamniótica, com o primeiro feto cefálico e o segundo pélvico, e idade gestacional de 34 semanas, o parto vaginal é uma opção viável. A dilatação de 6 cm indica trabalho de parto ativo. A apresentação cefálica do primeiro gemelar é o principal fator que permite a tentativa de parto vaginal. A extração podálica do segundo gemelar, se necessário, é uma técnica que pode ser empregada para facilitar o nascimento do segundo feto. A tocólise para corticoterapia antenatal seria mais indicada em idades gestacionais mais baixas (geralmente < 34 semanas) e se o trabalho de parto não estivesse tão avançado. A decisão pela via de parto deve ser individualizada, considerando a experiência da equipe, as condições maternas e fetais, e a preferência da paciente. A monitorização contínua de ambos os fetos é essencial durante o trabalho de parto. A cesariana é reservada para situações específicas, como apresentação não cefálica do primeiro gemelar, sofrimento fetal, ou outras complicações obstétricas que contraindiquem o parto vaginal.

Perguntas Frequentes

Quando o parto vaginal é indicado em gestações gemelares?

O parto vaginal é indicado em gestações gemelares quando o primeiro feto está em apresentação cefálica, a idade gestacional é ≥ 32 semanas e não há outras contraindicações obstétricas ou maternas.

Qual a conduta para o segundo gemelar em apresentação não cefálica durante o parto vaginal?

Se o segundo gemelar estiver em apresentação não cefálica (pélvica ou transversa), pode-se tentar a versão externa ou interna, ou realizar a extração podálica após o nascimento do primeiro gemelar, desde que haja condições favoráveis.

Quais são os riscos e benefícios do parto vaginal em gestações gemelares?

Os benefícios incluem menor morbidade materna e recuperação mais rápida. Os riscos podem envolver distocia do segundo gemelar, prolapso de cordão ou descolamento prematuro de placenta, exigindo monitoramento rigoroso e equipe experiente.

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