CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2007
Uveíte que pode apresentar endoteliopatia corneana autoimune, comprometimento vítreo praticamente em 100% dos casos, tendo associação com doença de Lyme e sarcoidose, mais provavelmente se refere a:
Pars planite = Uveíte intermediária + snowballs/snowbanks + 100% de comprometimento vítreo.
A pars planite é um subgrupo da uveíte intermediária idiopática caracterizada por exsudatos vítreos e depósitos na pars plana, frequentemente associada a doenças sistêmicas como sarcoidose.
A pars planite representa uma forma específica de uveíte intermediária onde a inflamação se concentra na base do vítreo e pars plana. É uma condição tipicamente bilateral e crônica, afetando frequentemente crianças e adultos jovens. A fisiopatologia envolve uma resposta imune mediada por células T, podendo estar ligada a uma predisposição genética (HLA-DR15). Clinicamente, o paciente queixa-se de moscas volantes e visão turva, raramente apresentando dor ou olho vermelho (uveíte de 'olho branco'). O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na fundoscopia sob midríase e depressão escleral para visualizar a periferia extrema da retina. O reconhecimento precoce é vital para prevenir complicações permanentes como catarata, glaucoma secundário e tração vitreorretiniana.
A pars planite é definida como uma uveíte intermediária idiopática que apresenta a formação de 'snowbanks' (bancos de neve), que são exsudatos esbranquiçados localizados sobre a pars plana, e 'snowballs' (bolas de neve), que são agregados inflamatórios no humor vítreo. O comprometimento vítreo é quase universal (100% dos casos), manifestando-se como vitrite. Além disso, pode haver edema macular cistoide, que é a principal causa de baixa acuidade visual nesses pacientes, e vasculite periférica.
Embora a pars planite seja frequentemente idiopática, o quadro de uveíte intermediária exige investigação para condições sistêmicas. As principais associações incluem a sarcoidose, que pode causar granulomas e inflamação ocular multissegmentar, a esclerose múltipla, onde a uveíte pode preceder os sintomas neurológicos, e a doença de Lyme, uma infecção bacteriana transmitida por carrapatos. A avaliação clínica deve incluir exames de imagem do tórax e sorologias específicas quando houver suspeita clínica.
O tratamento é indicado quando há redução da acuidade visual (geralmente abaixo de 20/40) ou presença de edema macular cistoide. A primeira linha geralmente envolve corticosteroides, que podem ser administrados via periocular (injeções subtenonianas), intravítrea ou sistêmica. Em casos resistentes ou crônicos, utilizam-se agentes imunossupressores poupadores de corticoides ou terapia biológica. A crioterapia ou fotocoagulação a laser da pars plana pode ser considerada em casos de neovascularização periférica.
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