Parotidite Pós-Operatória: Agente Causal e Manejo

Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2024

Enunciado

Um homem de 70 anos é submetido a uma cirurgia para obstrução intestinal. A cirurgia foi prolongada por causa de aderências, mas nenhum intestino teve que ser ressecado. No 3° dia de pós-operatório, queixa-se de dor e edema no lado direito da face. Ele não consegue abrir a boca e tem febre alta. O exame físico revela eritema e inchaço logo abaixo do lado direito da mandíbula. Uma massagem suave do lado do rosto resulta em saliva purulenta. Essa patologia, na MAIORIA dos casos, é causada pelo organismo:

Alternativas

  1. A) Estreptococos.
  2. B) Staphylococcus aureus.
  3. C) Pseudomonas.
  4. D) Bacteroides.

Pérola Clínica

Parotidite pós-operatória → Staphylococcus aureus é o agente mais comum, especialmente em idosos desidratados.

Resumo-Chave

A parotidite supurativa aguda, especialmente no pós-operatório, é mais frequentemente causada por Staphylococcus aureus. Fatores como desidratação, higiene oral deficiente e diminuição do fluxo salivar, comuns em pacientes cirúrgicos idosos, predispõem a essa infecção.

Contexto Educacional

A parotidite supurativa aguda é uma infecção bacteriana da glândula parótida, que ocorre com maior frequência em pacientes idosos, desidratados e debilitados, especialmente no período pós-operatório. A diminuição do fluxo salivar, seja por jejum prolongado, uso de medicamentos anticolinérgicos ou desidratação, favorece a estase salivar e a proliferação bacteriana ascendente do ducto de Stensen. É uma complicação importante que o residente deve estar apto a reconhecer e tratar prontamente. O quadro clínico típico inclui dor intensa, edema e eritema na região pré-auricular e submandibular, febre alta, mal-estar e trismo (dificuldade para abrir a boca). A expressão de saliva purulenta do ducto de Stensen é um sinal patognomônico. O agente etiológico mais comum, responsável pela maioria dos casos, é o Staphylococcus aureus. Outras bactérias, como Streptococcus pyogenes e bacilos Gram-negativos, podem estar envolvidas, especialmente em pacientes imunocomprometidos ou com infecções nosocomiais. O tratamento consiste em antibioticoterapia sistêmica, hidratação vigorosa, estimulação do fluxo salivar (com massagem, sialogogos e boa higiene oral) e analgesia. A escolha do antibiótico deve cobrir Staphylococcus aureus, e a terapia deve ser ajustada com base na cultura e sensibilidade, se disponível. A não resolução do quadro ou a formação de abscesso pode exigir drenagem cirúrgica. A prevenção é fundamental e inclui hidratação adequada e higiene oral rigorosa no pré e pós-operatório de pacientes de risco.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para o desenvolvimento de parotidite pós-operatória?

Os principais fatores de risco incluem desidratação, higiene oral deficiente, jejum prolongado, uso de anticolinérgicos, intubação orotraqueal prolongada, idade avançada e condições que diminuem o fluxo salivar, como doenças crônicas ou imunossupressão.

Como é feito o diagnóstico de parotidite supurativa aguda?

O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na dor, edema e eritema na região parotídea, febre, trismo e, frequentemente, a expressão de saliva purulenta do ducto de Stensen. Exames de imagem como ultrassonografia ou TC podem confirmar o diagnóstico e excluir abscessos ou outras causas.

Qual é o tratamento para a parotidite supurativa aguda?

O tratamento envolve antibioticoterapia empírica que cubra Staphylococcus aureus (geralmente cefalosporinas de primeira geração ou clindamicina, dependendo da resistência local), hidratação adequada, higiene oral rigorosa, massagem da glândula e sialogogos para estimular o fluxo salivar. Em casos de abscesso, drenagem cirúrgica pode ser necessária.

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