Parkinsonismo Induzido por Drogas: Reconhecimento e Manejo

HNMD - Hospital Naval Marcílio Dias (RJ) — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 75 anos procura o consultório do Geriatra com história de instabilidade postural, tremor nas mãos em repouso, além de lentificação dos movimentos. Sua esposa relatou que os passos estão ficando curtos e que tem projetado seu corpo para frente quando começa a caminhada. Faz uso de diversos medicamentos: losartana, amiodarona, flunarizina e plasil.Sobre o caso, podemos afirmar que:

Alternativas

  1. A) o diagnóstico provável é doença de Parkinson. Está indicado início de levodopaterapia.
  2. B) Trata-se de um Parkinsonismo atípico, provável Paralisia Supranuclear Progressiva.
  3. C) o diagnóstico é de Parkinsonismo secundário ao uso de drogas. Uso de terapia com entacapone está indicada.
  4. D) deve-se fazer uma revisão detalhada dos medicamentos em uso, drogas como plasil e flunarizina devem ser suspensas.
  5. E) o diagnóstico provável é dœnça de Parkinson primária, e medicações como flunarizina e amiodarona devem ser suspensas.

Pérola Clínica

Parkinsonismo em idoso com uso de flunarizina ou metoclopramida → suspeitar de parkinsonismo induzido por drogas.

Resumo-Chave

Em pacientes idosos que desenvolvem sintomas parkinsonianos, é crucial revisar a lista de medicamentos em uso. Drogas como flunarizina (bloqueador de canal de cálcio) e metoclopramida (Plasil, antiemético) são conhecidas por induzir parkinsonismo ao bloquear receptores de dopamina. A suspensão dessas drogas pode reverter ou melhorar significativamente os sintomas.

Contexto Educacional

O parkinsonismo induzido por drogas (PID) é uma causa comum de sintomas parkinsonianos, especialmente em idosos polimedicados. É crucial para o geriatra e o clínico geral reconhecer essa condição, pois difere da Doença de Parkinson primária em sua etiologia e manejo, sendo potencialmente reversível. A fisiopatologia do PID envolve o bloqueio dos receptores dopaminérgicos D2 no sistema nervoso central, principalmente por antipsicóticos e antieméticos. Outras drogas, como a flunarizina e a cinarizina, também podem induzir parkinsonismo. Os sintomas incluem bradicinesia, rigidez, tremor postural e instabilidade postural, muitas vezes de forma mais simétrica do que na Doença de Parkinson idiopática. O manejo principal consiste na suspensão da droga causadora, o que geralmente leva à melhora ou resolução completa dos sintomas em semanas a meses. É fundamental evitar a introdução de levodopa ou outros agonistas dopaminérgicos antes de tentar a retirada do agente etiológico, pois esses medicamentos não são eficazes no PID e podem causar efeitos adversos desnecessários.

Perguntas Frequentes

Quais medicamentos podem causar parkinsonismo induzido por drogas?

Diversos medicamentos podem induzir parkinsonismo, incluindo antipsicóticos (especialmente de primeira geração), antieméticos como metoclopramida (Plasil), bloqueadores de canal de cálcio como flunarizina e cinarizina, e alguns antidepressivos.

Como diferenciar a Doença de Parkinson do parkinsonismo induzido por medicamentos?

A diferenciação envolve a história de uso de medicamentos, a simetria dos sintomas (mais simétricos no PID), a ausência de tremor de repouso clássico (embora possa ocorrer) e a resposta à suspensão da droga. A Doença de Parkinson geralmente tem início assimétrico e progressivo.

Qual a conduta inicial ao suspeitar de parkinsonismo secundário a drogas?

A conduta inicial é revisar a farmacoterapia do paciente e suspender ou substituir as drogas suspeitas. A melhora dos sintomas após a retirada do medicamento confirma o diagnóstico de parkinsonismo induzido por drogas.

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