UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2022
A infecção pelo vírus linfotrópico de células T de humanos (Human T lymphotropic virus, HTLV) é prevalente em nosso meio, mas a sua terapia não é bem estabelecida. O vírus pode seguir um curso completamente assintomático, contudo suas manifestações clínicas podem ser bastante variadas, incluindo manifestações dermatológicas, oculares, reumatológicas e neurológicas. Com relação a sua manifestação na forma de paraparesia espástica tropical, uma das medicações indicadas nos protocolos terapêuticos é
Paraparesia espástica tropical (HAM/TSP) associada ao HTLV-1 → corticoides são a principal terapia imunomoduladora.
A paraparesia espástica tropical (HAM/TSP) é uma mielopatia crônica progressiva associada à infecção pelo HTLV-1. A inflamação na medula espinhal é um componente chave, e os corticoides são a principal medicação imunomoduladora utilizada para reduzir a inflamação e tentar estabilizar a progressão da doença, embora com resultados variáveis a longo prazo.
O vírus linfotrópico de células T de humanos tipo 1 (HTLV-1) é um retrovírus endêmico em várias partes do mundo, incluindo o Brasil. A maioria dos indivíduos infectados permanece assintomática, mas uma parcela desenvolve doenças graves, como a leucemia/linfoma de células T do adulto (ATLL) e a paraparesia espástica tropical/mielopatia associada ao HTLV-1 (HAM/TSP). A HAM/TSP é uma doença neurológica crônica e progressiva que afeta a medula espinhal, levando a espasticidade e fraqueza nos membros inferiores, distúrbios da marcha e disfunção esfincteriana. A fisiopatologia da HAM/TSP envolve uma resposta imune desregulada contra as células infectadas pelo HTLV-1 na medula espinhal, resultando em inflamação crônica e desmielinização. O diagnóstico é baseado na apresentação clínica compatível, exclusão de outras causas de mielopatia e detecção de anticorpos anti-HTLV-1 no soro e/ou líquor, confirmando a infecção viral. O tratamento da HAM/TSP é desafiador e visa principalmente o controle dos sintomas e a tentativa de modular a resposta inflamatória. Os corticoides (como prednisona ou metilprednisolona) são a medicação mais utilizada, com o objetivo de reduzir a inflamação e a progressão da doença, embora a resposta seja variável e muitas vezes transitória. Outras terapias imunomoduladoras e sintomáticas (para espasticidade, dor e disfunção vesical) também são empregadas para melhorar a qualidade de vida do paciente.
A HAM/TSP é uma mielopatia crônica progressiva, uma doença neurológica que afeta a medula espinhal, causando fraqueza e espasticidade nas pernas, distúrbios da marcha e, por vezes, disfunção vesical e intestinal. É uma das principais manifestações clínicas da infecção pelo HTLV-1.
Os corticoides são utilizados devido ao componente inflamatório da doença, visando reduzir a inflamação na medula espinhal e, assim, tentar aliviar os sintomas e retardar a progressão da mielopatia. Embora a resposta seja variável, são a terapia de primeira linha.
Além da HAM/TSP, o HTLV-1 pode causar leucemia/linfoma de células T do adulto (ATLL), uveíte, artrite, dermatite infecciosa, síndrome de Sjögren e outras condições inflamatórias, demonstrando a ampla gama de efeitos do vírus.
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