CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2007
Qual das alternativas abaixo faz parte do quadro clínico da paresia unilateral do músculo oblíquo superior?
Paresia de oblíquo superior → Hiperfunção secundária do oblíquo inferior ipsilateral.
Na paralisia do IV par, a perda da ação depressora e inciclotorsora do oblíquo superior leva a uma hipertropia que se manifesta com hiperfunção compensatória do seu antagonista ipsilateral.
A paresia do quarto nervo craniano (troclear) é a causa mais comum de diplopia vertical adquirida. O músculo oblíquo superior é responsável pela depressão (especialmente em adução), inciclotorsão e abdução. Sua falência resulta em hipertropia e exciclotorsão do olho afetado. O diagnóstico clínico baseia-se no teste de três etapas de Parks-Helveston: 1) Identificar qual olho está mais alto na posição primária; 2) Verificar se a hipertropia aumenta no olhar lateral esquerdo ou direito; 3) Realizar o teste de inclinação da cabeça (Bielschowsky). A hiperfunção do oblíquo inferior é um achado clássico que acompanha a cronicidade da paresia.
A manobra de Bielschowsky é positiva quando a hipertropia do olho afetado aumenta significativamente ao inclinar a cabeça para o lado da lesão. Isso ocorre porque, ao inclinar a cabeça, o reflexo vestibular tenta compensar a torção ocular usando os músculos retos superiores e oblíquos superiores. Na ausência da função do oblíquo superior (inciclotorsor), o reto superior tenta compensar a torção, mas como também é um elevador, ele exacerba a hipertropia.
De acordo com a Lei de Hering e as relações de antagonismo muscular, quando um músculo está paralisado (oblíquo superior), seu antagonista ipsilateral (oblíquo inferior) tende a apresentar uma hiperfunção secundária por falta de oposição. Clinicamente, isso é observado como uma elevação excessiva do olho em adução (olhar para o lado oposto ao olho afetado).
Os pacientes queixam-se tipicamente de diplopia vertical e torcional, que piora ao olhar para baixo (como ao ler ou descer escadas) e ao olhar para o lado oposto à lesão. Para compensar, adotam um torcicolo compensatório, inclinando a cabeça para o ombro oposto ao olho paralisado e abaixando o queixo.
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