Paralisia de Prega Vocal Pós-Cirurgia Cardíaca Pediátrica

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2020

Enunciado

Criança de 3 meses foi submetida à cirurgia cardíaca para correção do defeito septal atrioventricular. A intubação e extubação orotraqueal ocorreram sem intercorrências. O tempo de intubação foi de três horas. Após a extubação, passou a apresentar choro baixo e fraco e leve estridor bifásico. Os sintomas mantiveram-se após uso de corticoide endovenoso. A hipótese diagnóstica é

Alternativas

  1. A) estenose subglótica após intubação.
  2. B) laringomalácia por malformação.
  3. C) paralisia de prega vocal esquerda por comprometimento do nervo laringeo recorrente.
  4. D) laringite aguda viral sazonal.

Pérola Clínica

Estridor bifásico + disfonia pós-cirurgia cardíaca em lactente → Suspeitar paralisia de prega vocal por lesão do nervo laríngeo recorrente.

Resumo-Chave

A paralisia de prega vocal é uma complicação rara, mas importante, após cirurgias torácicas ou cardíacas em crianças, devido à proximidade do nervo laríngeo recorrente. O estridor bifásico e a disfonia (choro fraco) são pistas diagnósticas. A falta de resposta a corticoides diferencia de edema.

Contexto Educacional

A paralisia de prega vocal (PPV) é uma condição que pode comprometer a via aérea e a fonação, sendo especialmente desafiadora em lactentes. Embora rara, sua incidência aumenta após cirurgias torácicas e cardíacas pediátricas, como a correção de defeitos septais atrioventriculares, devido à vulnerabilidade do nervo laríngeo recorrente. O diagnóstico precoce é crucial para evitar complicações respiratórias e nutricionais. A fisiopatologia envolve a lesão do nervo laríngeo recorrente, que inerva a maioria dos músculos intrínsecos da laringe. Essa lesão pode ser por compressão, tração, isquemia ou secção durante o ato cirúrgico. Clinicamente, manifesta-se por estridor (frequentemente bifásico, indicando obstrução tanto inspiratória quanto expiratória), choro fraco ou rouco (disfonia) e, em casos graves, dificuldade respiratória e de alimentação. O diagnóstico é confirmado por laringoscopia, que revela a imobilidade da prega vocal afetada. O manejo inicial foca na estabilização da via aérea. Em casos leves, pode-se observar, pois a recuperação espontânea é possível. Em casos mais graves ou persistentes, podem ser necessárias intervenções como traqueostomia, fonoterapia e, em alguns casos, cirurgias para medialização da prega vocal. A diferenciação de outras causas de estridor pós-extubação, como laringite ou estenose subglótica, é fundamental, e a ausência de resposta a corticoides é um forte indício de PPV.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de paralisia de prega vocal em lactentes?

Os sinais incluem choro fraco ou baixo (disfonia), estridor respiratório (geralmente bifásico), tosse ineficaz e dificuldade de alimentação, que podem surgir após procedimentos cirúrgicos na região torácica ou cervical.

Por que a cirurgia cardíaca pode causar paralisia de prega vocal?

A cirurgia cardíaca, especialmente para correção de defeitos congênitos, pode lesar o nervo laríngeo recorrente devido à sua proximidade com estruturas cardíacas e grandes vasos, como o arco aórtico e o ducto arterioso, durante a manipulação cirúrgica.

Como diferenciar paralisia de prega vocal de laringite pós-extubação?

A paralisia de prega vocal cursa com estridor persistente e disfonia que não melhora com corticoides, enquanto a laringite pós-extubação geralmente responde bem a corticoides e tem um componente inflamatório mais agudo e transitório. O estridor na paralisia é frequentemente bifásico.

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