Paralisia Periódica Hipocalêmica: Diagnóstico e Tratamento

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2019

Enunciado

Um homem de vinte anos de idade procurou o pronto-atendimento por ter notado quadro de fraqueza muscular importante e parestesia, sem conseguir se levantar da cama. Refere que, na noite anterior, estava assintomático e que a fraqueza era mais importante em MMII, mas também acometia MMSS. No dia anterior, havia ido a uma festa da faculdade, onde ingeriu bastante bebida alcoólica e salgados. Quando perguntado sobre antecedentes, referiu que dois episódios semelhantes já haviam ocorrido no passado, após brigas com sua namorada, e que tinham sido diagnosticados como distúrbio de ansiedade, apresentando melhora espontânea após algumas horas. Ao exame físico, o paciente estava calmo, lúcido, contactuante, BEG, corado, afebril e desidratado+/4. Sinais vitais normais. Paralisia flácida de MMII (força grau 1), paresia de MMSS (força grau 4), reflexos ausentes em MMII e reduzidos em MMSS. Considerando-se esse caso hipotético, a conduta inicial seria

Alternativas

  1. A) administrar benzodiazepínico oral.
  2. B) administrar KCl endovenoso.
  3. C) pulsar com imunoglobulina.
  4. D) pulsar com metilprednisolona.
  5. E) antitoxina botulínica.

Pérola Clínica

Fraqueza muscular súbita + hiporreflexia + histórico de episódios semelhantes + ingestão de álcool/sal = Paralisia Periódica Hipocalêmica → Reposição de KCl.

Resumo-Chave

O quadro de fraqueza muscular súbita, predominantemente em MMII, com hiporreflexia, histórico de episódios semelhantes precipitados por estresse (brigas) ou excessos (álcool/sal), é altamente sugestivo de paralisia periódica hipocalêmica. A conduta inicial é a reposição de potássio, geralmente por via endovenosa em casos graves.

Contexto Educacional

A paralisia periódica hipocalêmica é uma condição rara, mas clinicamente importante, caracterizada por episódios recorrentes de fraqueza muscular súbita associada a baixos níveis séricos de potássio. É crucial para o residente reconhecer essa condição, pois o diagnóstico e tratamento rápidos podem prevenir complicações graves, incluindo paralisia respiratória. A condição pode ser primária (hereditária) ou secundária a outras doenças, como tireotoxicose. A fisiopatologia envolve um distúrbio nos canais iônicos das membranas das células musculares, levando a um influxo maciço de potássio para o interior das células, resultando em hipocalemia sérica e inabilidade das fibras musculares de despolarizar e contrair. Gatilhos como refeições ricas em carboidratos (que estimulam a liberação de insulina e o influxo de potássio para as células), estresse ou ingestão de álcool e sal podem precipitar os episódios. O histórico de episódios semelhantes e a melhora espontânea são pistas importantes. A conduta inicial em um paciente com paralisia periódica hipocalêmica é a reposição de potássio. Em casos de fraqueza muscular significativa ou paralisia, a administração endovenosa de cloreto de potássio (KCl) é indicada, com monitoramento cardíaco e dos níveis de potássio. É fundamental diferenciar essa condição de outras causas de fraqueza muscular aguda, como Síndrome de Guillain-Barré, que requerem abordagens terapêuticas distintas.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas e sinais da paralisia periódica hipocalêmica?

Caracteriza-se por episódios súbitos de fraqueza muscular, que podem variar de paresia a paralisia flácida, geralmente mais proeminente nos membros inferiores. Pode haver hiporreflexia ou arreflexia e, em casos graves, acometimento da musculatura respiratória.

Quais fatores podem precipitar um episódio de paralisia periódica hipocalêmica?

Gatilhos comuns incluem refeições ricas em carboidratos ou sal, ingestão de álcool, estresse físico ou emocional, exercício intenso, frio e uso de certos medicamentos como corticosteroides ou diuréticos.

Qual a conduta inicial para um paciente com paralisia periódica hipocalêmica?

A conduta inicial é a reposição de potássio, geralmente por via oral em casos leves a moderados, e por via endovenosa em casos graves ou com risco de arritmias cardíacas, monitorando cuidadosamente os níveis séricos de potássio.

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