CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2011
Paciente com esotropia e posição viciosa de cabeça para a direita apresenta:
Esotropia + cabeça rodada para o lado do músculo paralisado → Hipofunção do Reto Lateral.
Na paralisia do VI par (nervo abducente), o paciente adota uma posição viciosa de cabeça (torcicolo) voltada para o campo de ação do músculo paralisado para evitar a diplopia.
A paralisia do VI par craniano é a paralisia ocular isolada mais comum. O nervo abducente inerva exclusivamente o músculo reto lateral, responsável pela abdução ocular. Quando há hipofunção, o tônus do reto medial (antagonista ipsilateral) prevalece, causando esotropia. O diagnóstico clínico baseia-se na limitação da abdução e na incomitância do desvio. A posição viciosa de cabeça é um mecanismo compensatório crucial: ao girar a face para o lado do músculo paralisado, o paciente utiliza o campo de visão onde os olhos estão em adução, minimizando a necessidade do reto lateral e restaurando a fusão binocular. Em provas de residência, a associação entre esotropia, limitação de abdução e rotação da face para o lado afetado é o 'clássico' para identificar lesão do VI par.
O paciente com paralisia do VI par craniano apresenta uma deficiência na abdução do olho ipsilateral devido à hipofunção do músculo reto lateral. Isso resulta em uma esotropia (desvio para dentro) que gera diplopia binocular, especialmente ao tentar olhar para o lado da lesão. Para compensar e manter a visão binocular simples sem o uso do músculo afetado, o paciente rotaciona a cabeça em direção ao campo de ação do músculo paralisado (ipsilateral). Ao fazer isso, os olhos são colocados em uma posição de adução relativa em relação à órbita, onde o reto lateral não é exigido, eliminando a diplopia e o desvio.
A paralisia do VI par é um estrabismo incomitante, o que significa que o ângulo do desvio varia conforme a direção do olhar, sendo maior quando o paciente tenta abduzir o olho afetado. Já a esotropia essencial costuma ser comitante (o desvio é constante em todas as posições do olhar). Além disso, a paralisia do VI par frequentemente apresenta início agudo em adultos, associada a causas vasculares (diabetes, hipertensão) ou neurológicas, e vem acompanhada de diplopia e posição viciosa de cabeça, sintomas menos comuns em esotropias congênitas ou essenciais de longa data.
No adulto, a causa mais comum de hipofunção do reto lateral por paralisia do VI par é a neuropatia isquêmica microvascular, frequentemente associada a Diabetes Mellitus e Hipertensão Arterial Sistêmica. Outras etiologias importantes incluem traumas cranioencefálicos (devido ao longo trajeto intracraniano do nervo), tumores da base do crânio, hipertensão intracraniana idiopática (pseudotumor cerebral) e doenças desmielinizantes como a Esclerose Múltipla. Em crianças, deve-se sempre afastar tumores de tronco cerebral e sequelas de infecções virais.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo