Paralisia do VI Par e Esotropia: Diagnóstico e Posição de Cabeça

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2011

Enunciado

Paciente com esotropia e posição viciosa de cabeça para a direita apresenta:

Alternativas

  1. A) Hiperfunção de oblíquo superior direito
  2. B) Hipofunção de reto lateral direito
  3. C) Hipofunção de reto lateral esquerdo
  4. D) Hipofunção de reto medial direito

Pérola Clínica

Esotropia + cabeça rodada para o lado do músculo paralisado → Hipofunção do Reto Lateral.

Resumo-Chave

Na paralisia do VI par (nervo abducente), o paciente adota uma posição viciosa de cabeça (torcicolo) voltada para o campo de ação do músculo paralisado para evitar a diplopia.

Contexto Educacional

A paralisia do VI par craniano é a paralisia ocular isolada mais comum. O nervo abducente inerva exclusivamente o músculo reto lateral, responsável pela abdução ocular. Quando há hipofunção, o tônus do reto medial (antagonista ipsilateral) prevalece, causando esotropia. O diagnóstico clínico baseia-se na limitação da abdução e na incomitância do desvio. A posição viciosa de cabeça é um mecanismo compensatório crucial: ao girar a face para o lado do músculo paralisado, o paciente utiliza o campo de visão onde os olhos estão em adução, minimizando a necessidade do reto lateral e restaurando a fusão binocular. Em provas de residência, a associação entre esotropia, limitação de abdução e rotação da face para o lado afetado é o 'clássico' para identificar lesão do VI par.

Perguntas Frequentes

Por que o paciente com paralisia de VI par vira a cabeça para o lado da lesão?

O paciente com paralisia do VI par craniano apresenta uma deficiência na abdução do olho ipsilateral devido à hipofunção do músculo reto lateral. Isso resulta em uma esotropia (desvio para dentro) que gera diplopia binocular, especialmente ao tentar olhar para o lado da lesão. Para compensar e manter a visão binocular simples sem o uso do músculo afetado, o paciente rotaciona a cabeça em direção ao campo de ação do músculo paralisado (ipsilateral). Ao fazer isso, os olhos são colocados em uma posição de adução relativa em relação à órbita, onde o reto lateral não é exigido, eliminando a diplopia e o desvio.

Como diferenciar a paralisia do VI par de uma esotropia essencial?

A paralisia do VI par é um estrabismo incomitante, o que significa que o ângulo do desvio varia conforme a direção do olhar, sendo maior quando o paciente tenta abduzir o olho afetado. Já a esotropia essencial costuma ser comitante (o desvio é constante em todas as posições do olhar). Além disso, a paralisia do VI par frequentemente apresenta início agudo em adultos, associada a causas vasculares (diabetes, hipertensão) ou neurológicas, e vem acompanhada de diplopia e posição viciosa de cabeça, sintomas menos comuns em esotropias congênitas ou essenciais de longa data.

Quais são as principais causas de hipofunção do reto lateral no adulto?

No adulto, a causa mais comum de hipofunção do reto lateral por paralisia do VI par é a neuropatia isquêmica microvascular, frequentemente associada a Diabetes Mellitus e Hipertensão Arterial Sistêmica. Outras etiologias importantes incluem traumas cranioencefálicos (devido ao longo trajeto intracraniano do nervo), tumores da base do crânio, hipertensão intracraniana idiopática (pseudotumor cerebral) e doenças desmielinizantes como a Esclerose Múltipla. Em crianças, deve-se sempre afastar tumores de tronco cerebral e sequelas de infecções virais.

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