CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2011
Com relação à paralisia adquirida unilateral do músculo oblíquo superior, é correto afirmar:
Paralisia do IV par → Hipertropia que ↑ com inclinação da cabeça para o lado afetado.
A paralisia do oblíquo superior causa diplopia vertical e hipertropia ipsilateral, classicamente exacerbada pela inclinação da cabeça para o lado da lesão (Bielschowsky positivo).
O nervo troclear (IV par) inerva exclusivamente o músculo oblíquo superior, que tem funções de depressão (principalmente em adução), inciclodução e abdução. Sua paralisia resulta em um desequilíbrio oculomotor complexo. Clinicamente, o diagnóstico é firmado pelo teste de três etapas de Parks. A amplitude de fusão vertical costuma ser pequena em casos adquiridos, ao contrário dos casos congênitos, onde o paciente desenvolve grandes amplitudes para compensar o desvio crônico.
É a terceira etapa do teste de Parks-Helveston (Three-step test). Consiste em observar a variação da hipertropia com a inclinação da cabeça para os ombros. Na paralisia do oblíquo superior, a hipertropia aumenta quando a cabeça é inclinada para o lado do músculo paralisado, pois o reflexo de inclinação ativa os músculos ciclodutores, e a ausência da ação depressora do oblíquo superior resulta em elevação (hipertropia).
O paciente adota uma posição compensatória da cabeça (torcicolo ocular), inclinando-a para o lado oposto ao músculo paralisado. Isso é feito para minimizar a diplopia vertical e torcional, colocando os olhos em uma posição onde a fusão binocular é possível sem a ação plena do oblíquo superior afetado.
As causas podem ser congênitas ou adquiridas. Entre as adquiridas, o trauma craniano é muito frequente devido à fragilidade e extensão do nervo. Outras causas incluem isquemia microvascular (comum em diabéticos e hipertensos), tumores e processos inflamatórios idiopáticos.
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