CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2023
Você neonatologista diarista, responsável pelo alojamento conjunto, ao avaliar e examinar um recém-nascido de 4.300 Kg, notou ausência de movimentos ativos do membro superior esquerdo (MSE), do ombro até a mão, reflexo de Moro ausente, ptose palpebral, enoftalmia e miose à esquerda. O diagnóstico mais provável para esse caso é:
RN macrossômico + ausência MSE + Síndrome de Horner → Paralisia obstétrica total do plexo braquial.
A paralisia obstétrica do plexo braquial é uma lesão nervosa comum em RNs macrossômicos ou com distocia de ombro. A apresentação com ptose, miose e enoftalmia (Síndrome de Horner) indica envolvimento das raízes C8-T1, sugerindo uma lesão mais extensa ou total do plexo braquial.
A paralisia obstétrica do plexo braquial é uma lesão nervosa periférica comum em recém-nascidos, com incidência de 0,5 a 2 por 1000 nascidos vivos. É uma condição de grande importância clínica devido ao potencial de sequelas motoras e sensoriais permanentes, impactando a qualidade de vida da criança. A identificação precoce é crucial para o manejo adequado. A fisiopatologia envolve o estiramento ou avulsão das raízes nervosas do plexo braquial (C5-T1) durante o parto, geralmente devido à tração excessiva do ombro ou cabeça. A apresentação clínica varia conforme as raízes afetadas. A paralisia total, como no caso descrito, envolve todas as raízes e se manifesta com ausência completa de movimentos do membro superior. A presença de ptose palpebral, miose e enoftalmia ipsilateral (Síndrome de Horner) indica lesão das raízes C8-T1, que carregam fibras simpáticas. O tratamento inicial é conservador, com fisioterapia para manter a amplitude de movimento e prevenir contraturas. Em casos de não recuperação espontânea após 3-6 meses, a cirurgia de reparo do plexo braquial pode ser indicada. O prognóstico depende da extensão e gravidade da lesão, sendo a Síndrome de Horner um marcador de maior gravidade e pior prognóstico.
Os sinais incluem ausência de movimentos ativos do membro superior, reflexo de Moro ausente e, em casos de lesão total ou inferior, a presença da Síndrome de Horner (ptose, miose, enoftalmia).
A Síndrome de Horner ocorre quando há lesão das raízes nervosas C8-T1 do plexo braquial, que contêm fibras simpáticas que inervam o olho e a face, indicando uma lesão mais grave ou total.
Os principais fatores de risco são a macrosomia fetal (peso > 4000g), distocia de ombro durante o parto e o uso de fórceps ou vácuo extrator.
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