Paralisia Obstétrica Neonatal: Diagnóstico e Sinais Chave

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2023

Enunciado

Você neonatologista diarista, responsável pelo alojamento conjunto, ao avaliar e examinar um recém-nascido de 4.300 Kg, notou ausência de movimentos ativos do membro superior esquerdo (MSE), do ombro até a mão, reflexo de Moro ausente, ptose palpebral, enoftalmia e miose à esquerda. O diagnóstico mais provável para esse caso é:

Alternativas

  1. A) Osteoartrite séptica de ombro e cotovelo.
  2. B) Tumor medular em nível cervical (C1-C2).
  3. C) Paralisia obstétrica (plexo braquial) total.
  4. D) Miopatia Aguda de músculos do ombro e cotovelo.

Pérola Clínica

RN macrossômico + ausência MSE + Síndrome de Horner → Paralisia obstétrica total do plexo braquial.

Resumo-Chave

A paralisia obstétrica do plexo braquial é uma lesão nervosa comum em RNs macrossômicos ou com distocia de ombro. A apresentação com ptose, miose e enoftalmia (Síndrome de Horner) indica envolvimento das raízes C8-T1, sugerindo uma lesão mais extensa ou total do plexo braquial.

Contexto Educacional

A paralisia obstétrica do plexo braquial é uma lesão nervosa periférica comum em recém-nascidos, com incidência de 0,5 a 2 por 1000 nascidos vivos. É uma condição de grande importância clínica devido ao potencial de sequelas motoras e sensoriais permanentes, impactando a qualidade de vida da criança. A identificação precoce é crucial para o manejo adequado. A fisiopatologia envolve o estiramento ou avulsão das raízes nervosas do plexo braquial (C5-T1) durante o parto, geralmente devido à tração excessiva do ombro ou cabeça. A apresentação clínica varia conforme as raízes afetadas. A paralisia total, como no caso descrito, envolve todas as raízes e se manifesta com ausência completa de movimentos do membro superior. A presença de ptose palpebral, miose e enoftalmia ipsilateral (Síndrome de Horner) indica lesão das raízes C8-T1, que carregam fibras simpáticas. O tratamento inicial é conservador, com fisioterapia para manter a amplitude de movimento e prevenir contraturas. Em casos de não recuperação espontânea após 3-6 meses, a cirurgia de reparo do plexo braquial pode ser indicada. O prognóstico depende da extensão e gravidade da lesão, sendo a Síndrome de Horner um marcador de maior gravidade e pior prognóstico.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos da paralisia obstétrica total do plexo braquial?

Os sinais incluem ausência de movimentos ativos do membro superior, reflexo de Moro ausente e, em casos de lesão total ou inferior, a presença da Síndrome de Horner (ptose, miose, enoftalmia).

Por que a Síndrome de Horner está associada à paralisia obstétrica?

A Síndrome de Horner ocorre quando há lesão das raízes nervosas C8-T1 do plexo braquial, que contêm fibras simpáticas que inervam o olho e a face, indicando uma lesão mais grave ou total.

Quais são os fatores de risco para a paralisia obstétrica do plexo braquial?

Os principais fatores de risco são a macrosomia fetal (peso > 4000g), distocia de ombro durante o parto e o uso de fórceps ou vácuo extrator.

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