CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2013
Qual o provável diagnóstico e conduta no caso abaixo?
Paralisia de VI + VII pares → provável lesão em ponte; tratamento foca em proteção corneana (peso de ouro + tarsal strip).
A paralisia facial (VII par) impede o fechamento palpebral (lagoftalmo), enquanto a paralisia do VI par causa esotropia; a conduta cirúrgica visa restaurar a proteção do globo ocular.
A paralisia combinada dos nervos cranianos VI e VII é um sinal neurológico de localização pontina. Clinicamente, o paciente apresenta incapacidade de abduzir o olho (VI par) e paralisia da musculatura da expressão facial (VII par), incluindo o músculo orbicular do olho. A principal complicação oftalmológica é o lagoftalmo, que leva à dessecação da córnea, ulceração e potencial perfuração ocular. O manejo inicial envolve lubrificação agressiva e oclusão noturna. No entanto, em casos de paralisia definitiva ou prolongada, intervenções cirúrgicas são necessárias. O implante de peso de ouro na pálpebra superior e o tarsal strip na pálpebra inferior formam o pilar da reabilitação funcional, visando a proteção da superfície ocular e a melhora estética da fenda palpebral.
Anatomicamente, os núcleos dos nervos abducente (VI) e facial (VII) estão localizados na ponte, no tronco encefálico. As fibras do nervo facial contornam o núcleo do nervo abducente (formando o colículo facial no assoalho do quarto ventrículo) antes de emergirem do tronco. Devido a essa proximidade extrema, processos patológicos como tumores de tronco, infartos pontinos ou síndromes congênitas (como a Síndrome de Möbius) frequentemente afetam ambos os nervos simultaneamente, resultando em paralisia da abdução ocular e paralisia da musculatura mimética facial ipsilateral.
O peso de ouro é uma prótese implantada na pálpebra superior de pacientes com paralisia facial definitiva. Como o músculo orbicular (inervado pelo VII par) está paralisado, o paciente não consegue fechar o olho voluntariamente ou durante o sono, gerando o lagoftalmo. O implante utiliza a gravidade para auxiliar o fechamento palpebral passivo quando o músculo levantador da pálpebra superior (inervado pelo III par) relaxa. O ouro é escolhido por ser um material inerte, de alta densidade e com baixo risco de extrusão ou reação inflamatória.
O 'tarsal strip' (tira tarsal lateral) é um procedimento cirúrgico da oculoplástica utilizado para corrigir a frouxidão palpebral e o ectrópio paralítico. Na paralisia facial, a pálpebra inferior perde o tônus e tende a 'cair' ou se afastar do globo ocular. A técnica consiste em encurtar a pálpebra inferior e fixar o tarso ao periósteo da borda orbitária lateral. Isso melhora o posicionamento palpebral, reduz a exposição da conjuntiva e ajuda a manter o filme lacrimal estável, prevenindo a ceratite de exposição grave.
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