Paralisia do IV Nervo: Anatomia e Diagnóstico Clínico

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2022

Enunciado

Sobre a paralisia do IV nervo craniano, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) Frequentemente, apresenta-se paralisia de nervo facial associada.
  2. B) No exame da motricidade ocular, existe um aumento da excursão do olho paralisado no olhar para baixo.
  3. C) O paciente evolui com diplopia vertical, posição viciosa de cabeça e hipotropia do olho paralisado.
  4. D) O acometimento nuclear ou infranuclear do IV nervo pode ter o mesmo quadro clínico.

Pérola Clínica

IV par: Único nervo craniano que emerge dorsalmente e cruza (decussa) antes de sair do tronco.

Resumo-Chave

Devido à decussação imediata das fibras após o núcleo no mesencéfalo, lesões nucleares e infranucleares (fasciculares) do IV par resultam em paralisias contralaterais clinicamente indistinguíveis.

Contexto Educacional

O nervo troclear (IV par) é único por ser o mais longo, o mais fino e o único a emergir da face posterior do tronco encefálico. Ele inerva o músculo oblíquo superior, responsável pela depressão (em adução) e inciclotorção. A paralisia resulta em hipertropia que piora na adução e na inclinação da cabeça para o lado ipsilateral (Teste de Bielschowsky positivo). A compreensão de sua anatomia cruzada é vital para a localização topográfica de lesões neurológicas.

Perguntas Frequentes

Por que a lesão nuclear do IV par é contralateral?

O núcleo do IV par localiza-se no mesencéfalo inferior. Suas fibras emergem na face dorsal do tronco encefálico e cruzam imediatamente para o lado oposto antes de contornar o pedúnculo cerebral. Portanto, uma lesão no núcleo direito afetará o músculo oblíquo superior esquerdo.

Qual a posição viciosa de cabeça típica?

O paciente geralmente inclina a cabeça para o lado oposto ao olho paralisado (lado do ombro sadio) para compensar a diplopia vertical e a exciclotorção causadas pela fraqueza do oblíquo superior.

Como diferenciar paralisia congênita de adquirida?

A paralisia congênita frequentemente apresenta grandes amplitudes de fusão vertical e pode ser identificada em fotografias antigas pela inclinação da cabeça. A adquirida costuma ser súbita, traumática ou isquêmica, com diplopia muito sintomática.

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