CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2019
O aneurisma de artéria comunicante posterior pode levar a compressão de qual dos nervos cranianos abaixo?
Paralisia de III par + Midríase = Aneurisma de Comunicante Posterior até prova em contrário.
O nervo oculomotor (III par) é vulnerável à compressão por aneurismas da artéria comunicante posterior devido à sua proximidade anatômica no espaço subaracnóideo.
O nervo oculomotor (III par craniano) emerge do tronco encefálico e passa entre as artérias cerebral posterior e cerebelar superior, seguindo paralelamente à artéria comunicante posterior (P-Com). Esta relação anatômica torna o nervo extremamente suscetível a compressões por expansões aneurismáticas nesta artéria. A paralisia completa do III par manifesta-se com ptose palpebral severa, olho desviado para baixo e para fora ('down and out') e, crucialmente, midríase se a causa for compressiva. Esta é uma emergência neurocirúrgica, pois o aneurisma pode romper, levando a uma hemorragia subaracnóidea fatal. O reconhecimento imediato do envolvimento pupilar na paralisia do III par é uma das habilidades mais críticas para médicos em unidades de emergência e neurologistas.
As fibras parassimpáticas responsáveis pela constrição pupilar (miose) localizam-se na periferia (superfície) do nervo oculomotor. Quando um aneurisma da artéria comunicante posterior expande, ele comprime o nervo de fora para dentro, atingindo essas fibras superficiais precocemente. Isso resulta em midríase (pupila dilatada) e perda do reflexo fotomotor, um sinal de alerta crítico para compressão extrínseca.
Diante de uma paralisia de III par com envolvimento pupilar, a Angiorressonância Magnética (ARM) ou a Angiotomografia (ATC) de crânio são os exames iniciais de escolha para localizar o aneurisma. Em casos de alta suspeita clínica com exames não invasivos negativos, a Angiografia Cerebral por Subtração Digital continua sendo o padrão-ouro devido à sua maior sensibilidade para pequenos aneurismas.
A principal diferença reside na pupila. Causas isquêmicas (como Diabetes Mellitus ou Hipertensão) geralmente afetam a porção central do nervo (vasa nervorum), poupando as fibras parassimpáticas periféricas, resultando em uma paralisia que 'paupa a pupila'. Já causas compressivas, como o aneurisma de comunicante posterior, tipicamente causam midríase. Paralisias incompletas ou com dor intensa também reforçam a suspeita de aneurisma.
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