CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2015
A presença de regeneração aberrante após um quadro de paralisia de nervo oculomotor seria mais compatível com qual dos diagnósticos etiológicos abaixo?
Regeneração aberrante no III par → Lesão compressiva (Aneurisma) ou Trauma; NUNCA Isquemia (DM/HAS).
A regeneração aberrante ocorre quando axônios em crescimento reinervam músculos errados após a ruptura do arcabouço neural (epineuro), comum em compressões crônicas ou traumas, mas ausente em infartos nervosos isquêmicos.
A paralisia do nervo oculomotor é uma emergência neurológica potencial quando associada a aneurismas. A diferenciação entre causas isquêmicas (vasopáticas) e compressivas é fundamental. Enquanto a paralisia isquêmica geralmente poupa a pupila e se recupera sem sequelas em meses, a compressão por aneurisma frequentemente envolve a pupila e pode resultar em regeneração aberrante. Este fenômeno de 'fiação trocada' é um marcador de que a arquitetura interna do nervo foi violada. Na prática clínica, observar movimentos palpebrais anômalos durante as versões oculares em um paciente com paralisia prévia do III par deve alertar o médico para etiologias não isquêmicas, exigindo investigação radiológica urgente para evitar rupturas aneurismáticas fatais.
A regeneração aberrante do nervo oculomotor (III par) manifesta-se clinicamente por co-contrações musculares anormais. O exemplo mais clássico é o sinal de pseudo-Graefe, onde a pálpebra superior se eleva durante a adução ou depressão do olho, devido a fibras destinadas ao reto medial ou inferior que acabam reinervando o músculo levantador da pálpebra superior. Isso ocorre porque a lesão original (geralmente compressiva ou traumática) rompeu as bainhas de tecido conjuntivo do nervo, permitindo que os axônios em regeneração sigam caminhos errôneos até os músculos extraoculares.
No Diabetes Mellitus e na Hipertensão Arterial, a paralisia do III par é de origem isquêmica (microvascular). Nessas condições, ocorre um infarto central do nervo, mas o arcabouço de tecido conjuntivo (epineuro e perineuro) permanece intacto. Como a estrutura física do nervo é preservada, os axônios não têm espaço para 'vazar' e reinervar músculos incorretos durante a recuperação. Portanto, a presença de regeneração aberrante é um sinal clínico crucial que exclui causas puramente isquêmicas e obriga a investigação de massas ou aneurismas.
A presença de regeneração aberrante, especialmente se não houver histórico de trauma agudo, é altamente sugestiva de uma lesão compressiva de crescimento lento. A principal preocupação é um aneurisma da artéria carótida interna ou da artéria comunicante posterior. A conduta imediata deve incluir exames de imagem neurovascular de alta resolução, como Angio-TC, Angio-RM ou, em casos de alta suspeita com exames não invasivos negativos, a angiografia cerebral por cateterismo (padrão-ouro), para excluir compressão aneurismática.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo