Toxina Botulínica no Tratamento de Estrabismo

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2007

Enunciado

O uso da toxina botulínica tem seus melhores resultados no tratamento de estrabismos:

Alternativas

  1. A) Tipo Brown
  2. B) Na síndrome de Duane
  3. C) Tipo DVD
  4. D) Secundários à paralisia do VI nervo

Pérola Clínica

Toxina botulínica no VI par → injetar no reto medial ipsilateral para evitar contratura e facilitar cura.

Resumo-Chave

A toxina botulínica é altamente eficaz em paralisias agudas do VI nervo, prevenindo a contratura do antagonista (reto medial) enquanto se aguarda a recuperação nervosa.

Contexto Educacional

O uso da toxina botulínica tipo A na oftalmologia foi pioneiro com Alan Scott para o tratamento do estrabismo. Sua principal indicação clínica hoje reside nos casos de paralisias oculomotoras agudas, especialmente do VI par, que frequentemente têm resolução espontânea em 6 meses (especialmente as de causa isquêmica). A quimiodenervação do antagonista 'ganha tempo' e preserva a mecânica muscular. Além das paralisias, a toxina é útil como teste pré-operatório para avaliar o risco de diplopia pós-operatória em adultos com estrabismo sensorial e no tratamento de pequenos desvios residuais após cirurgias. O procedimento é minimamente invasivo, realizado sob anestesia tópica ou sedação leve, com auxílio de eletromiografia para localização precisa do músculo.

Perguntas Frequentes

Por que usar toxina botulínica na paralisia do VI nervo?

Na paralisia aguda do VI nervo (nervo abducente), o músculo reto lateral para de funcionar, deixando o músculo reto medial (seu antagonista) sem oposição. Isso leva a uma esotropia acentuada e, com o tempo, o reto medial sofre contratura permanente. A toxina botulínica é aplicada no reto medial para paralisá-lo temporariamente, mantendo o olho alinhado e prevenindo a contratura enquanto o VI nervo se recupera.

Quais são as limitações da toxina botulínica no estrabismo?

A toxina botulínica tem efeito temporário (geralmente 3 a 4 meses) e é menos eficaz em desvios de grande ângulo, estrabismos restritivos (como na orbitopatia de Graves) ou em casos de paralisias crônicas onde a fibrose já se instalou. Também não é indicada para Desvio Vertical Dissociado (DVD).

A toxina botulínica pode substituir a cirurgia de estrabismo?

Em alguns casos específicos, como esotropias de pequeno ângulo ou paralisias agudas, ela pode evitar a necessidade de cirurgia futura. No entanto, na maioria dos estrabismos infantis ou desvios mecânicos/restritivos, a cirurgia de recuo e ressecção muscular continua sendo o padrão-ouro para resultados definitivos.

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