CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2007
O uso da toxina botulínica tem seus melhores resultados no tratamento de estrabismos:
Toxina botulínica no VI par → injetar no reto medial ipsilateral para evitar contratura e facilitar cura.
A toxina botulínica é altamente eficaz em paralisias agudas do VI nervo, prevenindo a contratura do antagonista (reto medial) enquanto se aguarda a recuperação nervosa.
O uso da toxina botulínica tipo A na oftalmologia foi pioneiro com Alan Scott para o tratamento do estrabismo. Sua principal indicação clínica hoje reside nos casos de paralisias oculomotoras agudas, especialmente do VI par, que frequentemente têm resolução espontânea em 6 meses (especialmente as de causa isquêmica). A quimiodenervação do antagonista 'ganha tempo' e preserva a mecânica muscular. Além das paralisias, a toxina é útil como teste pré-operatório para avaliar o risco de diplopia pós-operatória em adultos com estrabismo sensorial e no tratamento de pequenos desvios residuais após cirurgias. O procedimento é minimamente invasivo, realizado sob anestesia tópica ou sedação leve, com auxílio de eletromiografia para localização precisa do músculo.
Na paralisia aguda do VI nervo (nervo abducente), o músculo reto lateral para de funcionar, deixando o músculo reto medial (seu antagonista) sem oposição. Isso leva a uma esotropia acentuada e, com o tempo, o reto medial sofre contratura permanente. A toxina botulínica é aplicada no reto medial para paralisá-lo temporariamente, mantendo o olho alinhado e prevenindo a contratura enquanto o VI nervo se recupera.
A toxina botulínica tem efeito temporário (geralmente 3 a 4 meses) e é menos eficaz em desvios de grande ângulo, estrabismos restritivos (como na orbitopatia de Graves) ou em casos de paralisias crônicas onde a fibrose já se instalou. Também não é indicada para Desvio Vertical Dissociado (DVD).
Em alguns casos específicos, como esotropias de pequeno ângulo ou paralisias agudas, ela pode evitar a necessidade de cirurgia futura. No entanto, na maioria dos estrabismos infantis ou desvios mecânicos/restritivos, a cirurgia de recuo e ressecção muscular continua sendo o padrão-ouro para resultados definitivos.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo