CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2012
Em relação à paralisia do nervo abducente, em crianças:
Paralisia do VI par em crianças → causas virais e idiopáticas são as mais comuns.
Diferente dos adultos, onde causas vasculares predominam, em crianças a paralisia do nervo abducente é frequentemente pós-viral ou idiopática, apresentando alta taxa de recuperação espontânea.
A paralisia do nervo abducente é a paralisia de nervo craniano ocular mais comum na infância. Clinicamente, a criança apresenta uma esotropia de início agudo, com limitação da abdução do olho afetado e, frequentemente, uma posição compensatória da cabeça (torcicolo) para manter a visão binocular e evitar a diplopia. Embora a etiologia viral seja prevalente, a abordagem inicial deve ser cautelosa. Uma anamnese detalhada e um exame neurológico completo são essenciais. A presença de papiledema, ataxia ou envolvimento de outros nervos cranianos obriga a investigação imediata com Ressonância Magnética para excluir processos expansivos ou hipertensão intracraniana idiopática. Uma vez confirmada a natureza benigna/viral, o tratamento é conservador, baseado na observação e, em casos selecionados, no uso de prismas ou toxina botulínica para manter o alinhamento ocular durante a fase de recuperação.
Na população pediátrica, as causas mais comuns de paralisia isolada do nervo abducente (VI par) são as etiologias virais (pós-infecciosas) e as idiopáticas. Frequentemente, o quadro surge após uma infecção de vias aéreas superiores ou vacinação. Outras causas importantes incluem trauma craniano e tumores do sistema nervoso central (como o glioma de tronco), que devem ser sempre considerados no diagnóstico diferencial, especialmente se houver outros sinais neurológicos ou se a paralisia não regredir.
O prognóstico das paralisias de etiologia viral ou idiopática em crianças é geralmente excelente. A maioria dos casos apresenta uma recuperação espontânea e completa da função do músculo reto lateral dentro de 3 a 6 meses. Durante esse período, o manejo foca no conforto do paciente (oclusão alternada para evitar diplopia) e no monitoramento rigoroso. Se não houver melhora após esse período, uma investigação por imagem (RM) e a consideração de intervenções cirúrgicas tornam-se necessárias.
Sim, a toxina botulínica é uma opção terapêutica válida e frequentemente utilizada em crianças com paralisia do VI par. Ela é injetada no músculo reto medial ipsilateral (o antagonista do músculo paralisado) para prevenir a sua contratura e fibrose enquanto se aguarda a recuperação do nervo abducente. Ao contrário do que se possa pensar, não há contraindicação absoluta por risco de isquemia de segmento anterior em crianças saudáveis, sendo um procedimento seguro quando realizado por especialistas.
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