CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2009
A posição viciosa de cabeça mais provável em um paciente com paralisia do 6º nervo craniano à direita é:
Paralisia do VI par → Rotação da face para o lado do músculo paralisado (ipsilateral).
O paciente vira a face para o campo de ação do músculo paralisado (reto lateral) para evitar a diplopia e manter a binocularidade em posição primária.
A paralisia do VI par craniano é a paralisia de nervo craniano isolada mais comum na prática oftalmológica. O nervo abducente possui um longo trajeto intracraniano, o que o torna vulnerável a diversas patologias. Clinicamente, manifesta-se com diplopia horizontal que piora para a visão de longe e para o lado da lesão. A posição viciosa de cabeça é um mecanismo adaptativo sensorial e motor. Ao rotacionar a face para o lado do músculo paralisado, o paciente utiliza a área de binocularidade restante. Identificar corretamente o padrão do torcicolo ocular auxilia no diagnóstico diferencial dos estrabismos paralíticos e na localização da lesão neurológica.
Na paralisia do VI par craniano (nervo abducente), o músculo reto lateral ipsilateral perde sua função de abdução. Isso resulta em uma esotropia (desvio para dentro) que gera diplopia horizontal, especialmente ao tentar olhar para o lado afetado. Ao rotacionar a face para o lado da paralisia, o paciente coloca o olho afetado em uma posição de adução (campo de ação do reto medial, que está íntegro), permitindo que os eixos visuais se alinhem e a diplopia seja eliminada ou minimizada.
Na paralisia do VI par, a compensação é predominantemente uma rotação horizontal da face (torcicolo horizontal). Já na paralisia do IV par (nervo troclear), que afeta o músculo oblíquo superior, a compensação é mais complexa, envolvendo a inclinação da cabeça (tilt) para o ombro oposto ao lado afetado, além de abaixamento do queixo e leve rotação da face, visando compensar o componente vertical e torsional do desvio.
Em adultos, as causas vasculopáticas (Diabetes Mellitus e Hipertensão Arterial Sistêmica) são as mais frequentes, resultando em isquemia do nervo. Outras causas importantes incluem trauma cranioencefálico, tumores da base do crânio, hipertensão intracraniana idiopática (pseudotumor cerebral) e doenças desmielinizantes. Em casos de início súbito em pacientes com fatores de risco cardiovascular, a conduta inicial costuma ser a observação por 3 a 6 meses.
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