Paralisia do III Nervo com Pupila Poupada: Isquemia Microvascular

Claretiano - Centro Universitário de Rio Claro (SP) — Prova 2023

Enunciado

Homem de 65 anos de idade refere história de longa data de diabete melito e hipertensão arterial e apresenta início súbito de diplopia persistente, que começou algumas horas antes da chegada. Relata desconforto retro-orbitário esquerdo, e seu exame é notável por um olho esquerdo desviado lateralmente e para baixo, com paralisia de movimento medial e superior. Ele também tem ptose do lado esquerdo, mas sem injeção conjuntival, quemose ou proptose. Suas pupilas são de tamanho igual em 4 mm, redondas e igualmente reativas à luz em ambos os reflexos direto e consensual. Os sinais vitais são normais. Não há outros déficits neurológicos. A causa mais provável da diplopia é

Alternativas

  1. A) aneurisma cerebral.
  2. B) tumor cerebral.
  3. C) síndrome de hipertensão intracraniana.
  4. D) acidente vascular cerebral.
  5. E) isquemia microvascular.

Pérola Clínica

Paralisia do III nervo com pupila poupada em diabético/hipertenso → isquemia microvascular (neuropatia isquêmica).

Resumo-Chave

A paralisia do III nervo craniano com pupila poupada, em paciente com diabetes e hipertensão, é classicamente causada por isquemia microvascular (neuropatia isquêmica), diferenciando-se de causas compressivas que tipicamente afetam a pupila.

Contexto Educacional

A paralisia do III nervo craniano (oculomotor) manifesta-se com ptose, diplopia e desvio do olho para baixo e para fora, devido à disfunção dos músculos reto medial, reto superior, reto inferior, oblíquo inferior e levantador da pálpebra superior. A avaliação da pupila é crucial para determinar a etiologia. Em pacientes com diabetes mellitus e hipertensão arterial, a causa mais comum de paralisia do III nervo é a isquemia microvascular. Nesses casos, a pupila é classicamente 'poupada', ou seja, seu tamanho e reatividade à luz são normais. Isso ocorre porque as fibras parassimpáticas que controlam a pupila viajam na periferia do nervo, e o suprimento sanguíneo central do nervo é mais suscetível à isquemia. Em contraste, causas compressivas, como aneurismas da artéria comunicante posterior ou tumores, tendem a afetar as fibras periféricas do nervo primeiro, resultando em midríase e pupila não reativa. Portanto, a presença de pupila poupada em um paciente com fatores de risco vascular é um forte indicativo de etiologia isquêmica, geralmente benigna e com resolução espontânea em semanas a meses, não necessitando de investigação invasiva imediata para aneurisma.

Perguntas Frequentes

O que significa 'pupila poupada' na paralisia do III nervo?

'Pupila poupada' significa que, apesar da paralisia dos músculos extraoculares inervados pelo III nervo (causando ptose e desvio ocular), a função pupilar (tamanho e reatividade à luz) está preservada.

Por que a isquemia microvascular poupa a pupila na paralisia do III nervo?

As fibras parassimpáticas que controlam a pupila viajam na periferia do nervo oculomotor. Na isquemia microvascular, o suprimento sanguíneo central é mais afetado, poupando as fibras periféricas da pupila.

Como diferenciar a paralisia isquêmica do III nervo de um aneurisma?

A paralisia isquêmica geralmente poupa a pupila e ocorre em pacientes com fatores de risco vascular (diabetes, HAS). A compressão por aneurisma tipicamente afeta as fibras periféricas, causando midríase e pupila não reativa.

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