UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2019
Menina, 9 anos, procura atendimento médico com história de não conseguir andar há 4 horas. Nega dores e há um dia apresenta febre baixa. A criança frequenta escola, nunca ficou doente, exceto resfriados e com vacinação incompleta. Exame Físico: Bom estado geral, consciente, T= 38º C, FC= 100bpm, FR= 24irpm; neurológico: diminuição de força da musculatura do membro inferior esquerdo, com flacidez muscular, abolição de reflexos profundos na área paralisada e sensibilidade preservada. OS DIAGNÓSTICOS A SEREM INVESTIGADAS SÃO:
PFA + febre baixa + vacinação incompleta + abolição reflexos = Poliomielite ou SGB.
A paralisia flácida aguda (PFA) em uma criança com vacinação incompleta e febre baixa, acompanhada de flacidez e abolição de reflexos, levanta forte suspeita de poliomielite. No entanto, a Síndrome de Guillain-Barré (SGB) é o diagnóstico diferencial mais comum de PFA em países com erradicação da pólio, e também deve ser investigada.
A Paralisia Flácida Aguda (PFA) é uma síndrome clínica caracterizada por fraqueza muscular de início súbito, com diminuição ou ausência de tônus e reflexos, sem perda de sensibilidade, em crianças menores de 15 anos. É uma emergência médica e epidemiológica, pois a poliomielite, embora rara em muitos países devido à vacinação, é uma das suas causas mais temidas e de notificação compulsória imediata. O diagnóstico diferencial da PFA é amplo e inclui condições infecciosas, inflamatórias e neurológicas. A poliomielite, causada pelo poliovírus, manifesta-se com febre, mialgia e, em casos graves, paralisia flácida assimétrica. A vacinação incompleta é um forte indicativo para sua suspeita. A Síndrome de Guillain-Barré (SGB), por outro lado, é a causa mais comum de PFA em países onde a pólio foi erradicada. É uma polirradiculoneuropatia desmielinizante aguda, geralmente pós-infecciosa, que causa paralisia flácida ascendente e simétrica, com arreflexia. A investigação de um caso de PFA exige uma abordagem sistemática, incluindo história clínica detalhada (com foco no estado vacinal e infecções recentes), exame físico neurológico completo e exames complementares como análise do líquor, eletroneuromiografia e pesquisa viral. O manejo inicial foca na estabilização do paciente e na investigação etiológica rápida para instituir o tratamento adequado e implementar medidas de saúde pública, se necessário.
A poliomielite geralmente causa paralisia assimétrica e febre no início, enquanto a SGB é tipicamente simétrica, ascendente e pode ser precedida por infecção viral ou bacteriana, sem febre proeminente no início da paralisia.
A vacinação completa contra a poliomielite é a principal medida preventiva. Em casos de PFA em crianças com vacinação incompleta, a suspeita de poliomielite é elevada e exige investigação epidemiológica urgente.
A investigação inclui análise do líquor (LCR), eletroneuromiografia, exames sorológicos e virológicos (pesquisa de poliovírus e outros enterovírus nas fezes e LCR) e ressonância magnética da medula espinhal.
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