Paralisia Facial: Diferenciando Central e Periférica

Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2015

Enunciado

Paciente de 56 anos, hipertenso, diabético, portador de fibrilação atrial, apresentou quadro súbito de desvio da comissura labial para esquerda acompanhado de dificuldade para elevar a sobrancelha direita e fechar o olho direito. O evento aconteceu 30 min antes da admissão no Pronto Atendimento. Ao exame neurológico, essa era a única alteração notável. Relatava uso irregular das medicações: marevan, atenolol, enalapril e metformina. Ao exame clínico, apresentou os seguintes resultados: PA: 190 x 90 mmHg, FC: 90 bpm e glicemia capilar de 120 mg/dl.Sobre o caso clínico descrito, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) Trata-se de paralisia central à direita.
  2. B) Trata-se de paralisia periférica à direita.
  3. C) Trata-se de paralisia central à esquerda.
  4. D) Trata-se de paralisia periférica à esquerda.

Pérola Clínica

Paralisia facial periférica = acomete hemicara superior e inferior (não eleva sobrancelha, não fecha olho).

Resumo-Chave

A paralisia facial periférica (como a Paralisia de Bell) afeta todo o hemicara ipsilateral, incluindo a incapacidade de elevar a sobrancelha e fechar o olho. Em contraste, a paralisia facial central poupa a testa (capacidade de elevar a sobrancelha e franzir a testa) devido à dupla inervação cortical. O caso descreve acometimento da sobrancelha e olho direito, indicando paralisia periférica à direita.

Contexto Educacional

A paralisia facial é uma condição neurológica caracterizada pela fraqueza ou paralisia dos músculos da face, resultando em assimetria facial. É fundamental para o médico diferenciar a paralisia facial central da periférica, pois suas causas, prognósticos e abordagens terapêuticas são distintas. A paralisia facial periférica, como a Paralisia de Bell, resulta de uma lesão no nervo facial (VII par craniano) em qualquer ponto de seu trajeto após o núcleo, enquanto a paralisia facial central é causada por uma lesão no córtex cerebral ou nas vias corticonucleares antes do núcleo do nervo facial. A chave para a diferenciação reside na inervação da musculatura da testa. O córtex cerebral envia fibras para o núcleo do nervo facial de ambos os lados para a porção superior da face (testa e orbicular dos olhos), mas apenas do lado contralateral para a porção inferior da face (comissura labial). Assim, em uma paralisia facial central, a lesão cortical afeta principalmente a porção inferior da face contralateral, poupando a testa. O paciente consegue elevar a sobrancelha e franzir a testa. Já na paralisia facial periférica, a lesão do nervo facial afeta toda a hemiface ipsilateral, resultando em incapacidade de elevar a sobrancelha, franzir a testa e fechar o olho, além do desvio da comissura labial. No caso descrito, o paciente apresenta dificuldade para elevar a sobrancelha direita e fechar o olho direito, juntamente com desvio da comissura labial para a esquerda (indicando fraqueza à direita). Isso configura um acometimento completo da hemiface direita, característico de uma paralisia facial periférica à direita. Embora o paciente tenha fatores de risco para AVC (hipertensão, diabetes, fibrilação atrial, uso irregular de anticoagulante), a apresentação clínica da paralisia facial é o que define o tipo. O manejo da paralisia facial periférica idiopática geralmente envolve corticosteroides e antivirais, enquanto a paralisia central requer investigação e tratamento da causa subjacente, como o AVC. A rápida e precisa diferenciação é crucial para o direcionamento terapêutico adequado e para evitar complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos que diferenciam a paralisia facial central da periférica?

Na paralisia facial periférica, há acometimento de toda a hemiface ipsilateral, incluindo a incapacidade de elevar a sobrancelha, franzir a testa e fechar o olho. Na paralisia facial central, a musculatura da testa é poupada, permitindo elevar a sobrancelha e franzir a testa.

Qual a principal causa da paralisia facial periférica aguda idiopática?

A principal causa da paralisia facial periférica aguda idiopática é a Paralisia de Bell, uma condição inflamatória do nervo facial, frequentemente associada a infecções virais (ex: Herpes Simplex).

Qual a importância de diferenciar paralisia facial central de periférica no pronto atendimento?

A diferenciação é crucial porque a paralisia facial central é frequentemente um sinal de Acidente Vascular Cerebral (AVC), uma emergência neurológica que exige intervenção rápida, enquanto a paralisia periférica idiopática (Paralisia de Bell) tem um prognóstico e tratamento diferentes.

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